Toxoplasmose na Gestação: Diagnóstico e Conduta com Avidez IgG

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2023

Enunciado

Gestante de 12 semanas comparece ao pré-natal com sorologia para Toxoplasmose IgM e IgG positivos. O Obstetra solicita teste de avidez de IgG, cujo resultado foi de 17%. A melhor conduta neste caso é:

Alternativas

  1. A) Nada a fazer pois trata-se de infecção antiga.
  2. B) Utilizar somente espiramicina profilática.
  3. C) Iniciar espiramicina e indicar amniocentese.
  4. D) Iniciar sulfadiazina e pirimetamina e indicar amniocentese.

Pérola Clínica

Toxoplasmose gestacional IgM/IgG+ com avidez IgG baixa (<30%) → infecção recente. Iniciar espiramicina e considerar amniocentese.

Resumo-Chave

IgM e IgG positivos com baixa avidez de IgG (<30%) em gestante de 12 semanas indicam infecção aguda ou recente por Toxoplasmose. A conduta inicial é iniciar espiramicina para reduzir a transmissão vertical e realizar amniocentese para confirmar a infecção fetal.

Contexto Educacional

A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii, e sua aquisição durante a gestação é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão vertical e desenvolvimento de toxoplasmose congênita, que pode levar a graves sequelas neurológicas e oculares no feto. O diagnóstico preciso da infecção materna e sua datação são cruciais para o manejo. A interpretação da sorologia para toxoplasmose na gestação é complexa. IgM positivo e IgG positivo podem indicar uma infecção recente ou uma infecção antiga com persistência de IgM. O teste de avidez de IgG é fundamental para diferenciar essas situações: uma baixa avidez de IgG (<30%) sugere uma infecção adquirida nos últimos 3-4 meses, enquanto uma alta avidez (>60%) indica uma infecção antiga (há mais de 4 meses). No caso de avidez intermediária (30-60%), a interpretação é mais difícil e pode exigir acompanhamento sorológico. Diante de uma infecção aguda ou recente confirmada (IgM+ e IgG+ com baixa avidez), a conduta inicial é iniciar a espiramicina para reduzir o risco de transmissão vertical para o feto. Posteriormente, para confirmar ou excluir a infecção fetal, indica-se a amniocentese (geralmente após 18 semanas de gestação e 4 semanas após a soroconversão materna) para pesquisa de DNA do T. gondii no líquido amniótico. Se a infecção fetal for confirmada, o esquema terapêutico muda para sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico.

Perguntas Frequentes

O que significa um teste de avidez de IgG baixo para Toxoplasmose?

Um teste de avidez de IgG baixo (geralmente <30%) indica que os anticorpos IgG são "pouco ávidos", ou seja, foram produzidos recentemente, sugerindo uma infecção aguda ou recente por Toxoplasma gondii, geralmente nos últimos 3-4 meses.

Qual o papel da espiramicina no tratamento da toxoplasmose gestacional?

A espiramicina é um macrolídeo que atravessa a placenta em baixas concentrações, mas se concentra na placenta, reduzindo o risco de transmissão vertical do Toxoplasma gondii para o feto em casos de infecção materna aguda.

Quando a amniocentese é indicada na toxoplasmose gestacional?

A amniocentese é indicada para diagnosticar a infecção fetal quando há suspeita de infecção materna aguda (IgM+ e IgG+ com baixa avidez). Ela deve ser realizada após 18 semanas de gestação e pelo menos 4 semanas após a soroconversão materna, para pesquisa de DNA do parasita no líquido amniótico.

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