UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2022
Primigesta, assintomática, sem patologias prévias, iniciou acompanhamento de pré-natal com 8 semanas de idade gestacional (IG). Foram realizados, entre outros exames, os testes para triagem de toxoplasmose. Inicialmente, o resultado foi anticorpos IgM positivos e anticorpos IgG negativos. Com esse resultado, o médico optou por repetir os mesmos exames 15 dias depois. A gestante só retornou para consulta com 16 semanas de IG e a nova sorologia para toxoplasmose apresentou anticorpos IgM e IgG positivos.Com base nos protocolos da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, assinale a alternativa que apresenta a conduta a ser tomada.
Toxoplasmose gestacional com soroconversão (IgM+/IgG- → IgM+/IgG+) → iniciar espiramicina e programar amniocentese >18 sem.
A soroconversão ou a presença de IgM e IgG positivos em amostras sequenciais, especialmente se a primeira foi IgM+/IgG-, indica infecção aguda recente. Nesses casos, o tratamento com espiramicina deve ser iniciado para reduzir a transmissão vertical, e a amniocentese é indicada para diagnóstico fetal após 18 semanas.
A toxoplasmose gestacional é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii, que pode ser transmitida verticalmente ao feto, causando a toxoplasmose congênita. A infecção primária durante a gravidez é a mais preocupante, com risco de sequelas graves como hidrocefalia, calcificações intracranianas e coriorretinite. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para minimizar os riscos fetais. A prevalência e a gravidade da infecção fetal variam com a idade gestacional no momento da infecção materna. O diagnóstico da toxoplasmose na gestação baseia-se principalmente na sorologia. A presença de anticorpos IgM positivos e IgG negativos sugere infecção aguda recente, mas pode ser IgM residual de infecção antiga. A soroconversão (IgM+/IgG- para IgM+/IgG+) em amostras sequenciais confirma a infecção aguda. Nesses casos, a avidez de IgG pode ser útil: alta avidez afasta infecção recente, enquanto baixa avidez a confirma. A amniocentese para pesquisa de DNA do parasita no líquido amniótico é o método diagnóstico fetal de escolha, geralmente realizada após 18 semanas de gestação. Uma vez confirmada a infecção materna aguda, o tratamento com espiramicina (3g/dia) deve ser iniciado imediatamente para reduzir a taxa de transmissão vertical. Se a infecção fetal for confirmada pela amniocentese, o esquema terapêutico é alterado para sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. O acompanhamento ultrassonográfico detalhado é fundamental para monitorar sinais de infecção fetal. A conduta adequada, baseada em protocolos como os da FEBRASGO, é essencial para otimizar o prognóstico materno-fetal.
Suspeita-se de toxoplasmose aguda em gestantes com sorologia IgM positiva e IgG negativa, ou em casos de soroconversão (IgM+/IgG- para IgM+/IgG+) entre duas amostras, indicando infecção recente.
O tratamento inicial para toxoplasmose aguda na gravidez é a espiramicina, na dose de 3g/dia, para reduzir o risco de transmissão vertical ao feto. A amniocentese deve ser programada para diagnóstico fetal após 18 semanas.
A avidez de IgG é útil para diferenciar infecção recente de infecção antiga. Alta avidez sugere infecção há mais de 4 meses, enquanto baixa avidez indica infecção recente (menos de 4 meses), auxiliando na tomada de decisão quando há IgM positivo e IgG positivo.
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