FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2021
Gestante de 24 anos, primigesta, iniciou seu pré-natal no Hospital dos Plantadores de Cana com 8 semanas de gestação. Na anamnese da primeira consulta, não foi identificado nenhum fator de risco. Paciente assintomática. Solicitados exames de rotina pré-natal. Retornou após 1 mês trazendo sorologia para Toxoplasmose IgM e IgG positivos. Qual seria a conduta mais adequada?
IgM+ IgG+ em gestante → Avidez de IgG para datar infecção e afastar toxoplasmose aguda.
Em gestantes com sorologia para toxoplasmose IgM e IgG positivos, a avidez de IgG é crucial para determinar se a infecção é recente (baixa avidez) ou antiga (alta avidez). Uma alta avidez de IgG (>60%) em infecções com mais de 12-16 semanas de evolução praticamente exclui infecção aguda recente, reduzindo a necessidade de tratamento e investigação invasiva.
A toxoplasmose na gestação é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão vertical e suas consequências para o feto, que podem variar de subclínicas a graves malformações congênitas. O diagnóstico da infecção materna é feito por sorologia, com a pesquisa de anticorpos IgM e IgG. A presença de IgM e IgG positivos em uma gestante assintomática levanta a questão de quando a infecção ocorreu. Nesse cenário, o teste de avidez de IgG é fundamental. A avidez de IgG mede a força de ligação dos anticorpos IgG ao antígeno do Toxoplasma gondii. Em infecções recentes, os anticorpos IgG têm baixa avidez, enquanto em infecções antigas (geralmente após 12-16 semanas), a avidez é alta. Uma alta avidez de IgG em gestantes com IgM e IgG positivos praticamente exclui uma infecção aguda recente, o que significa que a infecção ocorreu antes da gestação ou muito no início, com baixo risco de transmissão fetal. Portanto, a conduta mais adequada é solicitar o teste de avidez de IgG. Se a avidez for alta, não há necessidade de tratamento com espiramicina ou de procedimentos invasivos como a amniocentese, pois o risco de toxoplasmose congênita é mínimo. O tratamento com espiramicina e a investigação fetal (amniocentese) são reservados para casos de infecção materna recente confirmada (baixa avidez de IgG ou soroconversão), onde o risco de transmissão fetal é maior.
A avidez de IgG ajuda a datar a infecção. IgG de alta avidez indica infecção antiga (geralmente > 12-16 semanas), enquanto baixa avidez sugere infecção recente, com maior risco de transmissão fetal.
Se a avidez de IgG for alta, a infecção é considerada antiga, e o risco de toxoplasmose congênita é mínimo. Não há necessidade de tratamento ou investigação adicional invasiva.
A espiramicina é indicada quando há suspeita de infecção materna recente (baixa avidez de IgG) para reduzir o risco de transmissão fetal. A amniocentese é considerada para diagnóstico de infecção fetal se a infecção materna for confirmada como recente.
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