UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020
Laura, 26 anos, G1, P0, A0, se encontra com aproximadamente 10 semanas de gestação e apresentou durante a consulta de pré-natal o seguinte resultado: sorologia para toxoplasmose IgM 4UI/mL e IgG positivos. Qual deverá ser a próxima conduta?
Toxoplasmose gestacional IgM+ IgG+: solicitar teste de avidez IgG para datar infecção e guiar conduta.
Em gestantes com sorologia para toxoplasmose IgM positivo e IgG positivo, o teste de avidez de IgG é fundamental para determinar se a infecção é recente (baixa avidez) ou antiga (alta avidez). Essa distinção é crucial, pois a infecção recente durante a gestação (especialmente no primeiro trimestre) confere maior risco de transmissão congênita e exige tratamento específico.
A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii, e sua aquisição durante a gestação pode ter consequências graves para o feto, resultando na toxoplasmose congênita. A prevalência da infecção varia globalmente, e o rastreamento sorológico no pré-natal é fundamental para identificar gestantes em risco ou com infecção ativa. A interpretação correta dos resultados sorológicos é crucial para o manejo adequado. A sorologia para toxoplasmose envolve a detecção de anticorpos IgM e IgG. Um resultado de IgM positivo e IgG positivo na gestação pode ser confuso, pois o IgM pode persistir por um longo período após a infecção aguda. Nesses casos, o teste de avidez de IgG é a ferramenta diagnóstica mais importante. A avidez mede a força da ligação entre o anticorpo IgG e o antígeno do parasita; anticorpos recém-produzidos têm baixa avidez, enquanto anticorpos de infecções antigas têm alta avidez. Se o teste de avidez de IgG for baixo, indica uma infecção recente (geralmente nos últimos 3-4 meses), o que aumenta o risco de transmissão congênita. Nesses casos, a conduta inclui o início imediato de espiramicina para reduzir a transmissão vertical e a investigação da infecção fetal. Se a avidez for alta, a infecção é considerada antiga e não há risco de transmissão fetal, dispensando tratamento específico. A pirimetamina e sulfadiazina são usadas para tratar a infecção fetal confirmada ou a gestante com infecção recente e evidência de infecção fetal.
Essa combinação sugere uma infecção recente ou uma infecção antiga com persistência de IgM. Para diferenciar, é necessário realizar o teste de avidez de IgG.
O teste de avidez de IgG avalia a força da ligação entre os anticorpos IgG e o antígeno do Toxoplasma. Baixa avidez indica infecção recente (geralmente nos últimos 3-4 meses), enquanto alta avidez sugere infecção antiga (há mais de 4 meses).
Se a avidez for baixa, confirmando infecção recente, a gestante deve iniciar tratamento com espiramicina para reduzir o risco de transmissão fetal. A investigação da infecção fetal (amniocentese) e o tratamento específico (pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico) podem ser considerados se houver comprovação de infecção fetal.
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