HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020
Uma paciente de 21 anos de idade, em acompanhamento pré-natal, apresentou sorologias pareadas para toxoplasmose , evidenciando aumento de cinco vezes no valor dos títulos de IgG em um intervalo de três semanas. Julgue o item a seguir.Baixa avidez de IgG para toxoplasmose indica infecção há mais de três meses.
Baixa avidez de IgG = Infecção RECENTE (< 3-4 meses). Alta avidez = Infecção ANTIGA.
O teste de avidez de IgG é utilizado para datar a infecção. Uma baixa avidez indica que os anticorpos foram produzidos recentemente e ainda se ligam fracamente ao antígeno.
A toxoplasmose gestacional é uma condição crítica devido ao risco de transmissão vertical, que aumenta conforme a idade gestacional, embora a gravidade das sequelas fetais seja maior no primeiro trimestre. O diagnóstico laboratorial baseia-se na detecção de anticorpos, mas a presença isolada de IgM não confirma infecção aguda, pois o IgM pode persistir por anos. Por isso, o teste de avidez de IgG e o acompanhamento de títulos em testes pareados são ferramentas fundamentais para a datação da infecção e decisão terapêutica, visando prevenir a tríade de Sabin no recém-nascido.
O teste de avidez mede a força de ligação entre o anticorpo IgG produzido pelo hospedeiro e o antígeno do Toxoplasma gondii. No início da resposta imune (fase aguda), os anticorpos IgG produzidos possuem baixa afinidade, resultando em baixa avidez. Com a maturação da resposta imune ao longo de 3 a 4 meses, o organismo seleciona linfócitos que produzem anticorpos com maior afinidade, elevando a avidez. Portanto, um teste de alta avidez realizado no primeiro trimestre (até 16 semanas) exclui infecção adquirida durante a gestação, indicando que a paciente já era imune antes de engravidar.
Um aumento significativo nos títulos de IgG, geralmente definido como um aumento de quatro vezes ou mais em amostras colhidas com intervalo de 2 a 3 semanas (sorologias pareadas), é um marcador fidedigno de infecção aguda ou muito recente. Esse fenômeno demonstra que o sistema imunológico está em plena fase de expansão clonal e produção de anticorpos contra o parasita. No caso clínico citado, o aumento de cinco vezes nos títulos de IgG confirma que a gestante está passando por uma infecção recente, o que exige intervenção imediata para proteção fetal.
Confirmada a infecção aguda (por soroconversão, aumento de títulos ou baixa avidez), deve-se iniciar imediatamente a espiramicina para tentar reduzir a taxa de transmissão placentária. A investigação fetal é feita através da amniocentesis para PCR do líquido amniótico, geralmente após a 18ª semana de gestação. Se a PCR for positiva, indicando infecção fetal, o tratamento deve ser alterado para o esquema tríplice (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico) para tratar o feto e reduzir sequelas, respeitando-se a restrição da pirimetamina no primeiro trimestre devido ao seu potencial teratogênico.
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