Toxoplasmose na Gravidez: Interpretação da Avidez de IgG e Conduta

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022

Enunciado

Rita, 26 anos, GII PI A0, idade gestacional de 8 semanas e 3 dias por DUM, veio em consulta pré-natal na UBS trazendo o seguinte exame: Sorologia para Toxoplasmose IgM Reagente e IgG Reagente. O médico da UBS iniciou profilaxia com Espiramicina 1g de 8/8h e solicitou Teste de Avidez de IgG. Hoje, Rita vem à consulta trazendo o exame que mostra alta avidez. Qual conduta adequada a ser tomada pelo médico?

Alternativas

  1. A) Manter a Espiramicina e repetir a sorologia em 3 meses. 
  2. B) Prescrever Sulfadiazina, Pirimetamina e ácido fólico e encaminhar ao pré-natal de alto risco. 
  3. C) Suspender a Espiramicina e tranquilizar a paciente.
  4. D) Encaminhar ao pré-natal de alto risco para realização de cordocentese pelo risco de infecção fetal.

Pérola Clínica

Toxoplasmose gestacional: IgM+ IgG+ com alta avidez de IgG → infecção pré-gestacional, baixo risco fetal, suspender tratamento.

Resumo-Chave

Em gestantes com sorologia IgM e IgG reagentes para toxoplasmose, o teste de avidez de IgG é crucial. Alta avidez indica infecção adquirida há mais de 4 meses, ou seja, antes da gestação, o que significa baixo risco de transmissão congênita e permite a suspensão da medicação.

Contexto Educacional

A toxoplasmose na gravidez é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão congênita e suas potenciais sequelas fetais. O diagnóstico baseia-se principalmente na sorologia, que avalia os anticorpos IgM e IgG. Um resultado de IgM reagente e IgG reagente pode indicar tanto uma infecção recente quanto uma infecção antiga, tornando a interpretação desafiadora e crucial para a conduta. Nesse cenário, o teste de avidez de IgG é uma ferramenta diagnóstica essencial. A avidez de IgG reflete a força da ligação entre o anticorpo IgG e o antígeno do Toxoplasma gondii. Anticorpos IgG produzidos em infecções recentes (até 4 meses) geralmente têm baixa avidez, enquanto aqueles produzidos em infecções antigas (mais de 4 meses) apresentam alta avidez. A alta avidez de IgG, portanto, permite descartar uma infecção aguda adquirida durante a gestação. No caso de Rita, com IgM reagente e IgG reagente, mas com alta avidez de IgG, a interpretação é que a infecção por Toxoplasma ocorreu antes da gestação. Isso significa que o risco de transmissão vertical para o feto é mínimo ou inexistente. Consequentemente, a conduta adequada é suspender a Espiramicina, que havia sido iniciada profilaticamente, e tranquilizar a paciente, pois não há indicação de tratamento ou de encaminhamento para pré-natal de alto risco por essa causa específica.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do teste de avidez de IgG na toxoplasmose gestacional?

O teste de avidez de IgG é fundamental para determinar o momento da infecção. Alta avidez sugere infecção adquirida há mais de 4 meses (pré-gestacional), enquanto baixa avidez indica infecção recente (nos últimos 4 meses), com maior risco de transmissão fetal.

Quando a Espiramicina é indicada na toxoplasmose gestacional?

A Espiramicina é indicada quando há suspeita de infecção aguda materna durante a gestação (IgM reagente, IgG reagente ou não reagente, e avidez de IgG baixa ou indeterminada) para reduzir o risco de transmissão vertical ao feto, até que se confirme ou descarte a infecção fetal.

Qual a conduta quando a gestante apresenta IgM e IgG reagentes com alta avidez de IgG?

Com IgM e IgG reagentes e alta avidez de IgG, a conduta é suspender a Espiramicina e tranquilizar a paciente. Isso indica que a infecção ocorreu antes da gestação, e o risco de transmissão congênita é desprezível, não justificando o tratamento.

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