SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015
No dia 20 de outubro de 2014, Andrea vem para a segunda consulta do seu Pré- Natal com seu Médico de Família. A data da última menstruação foi 17/07/2014. Ela apresenta a você os exames complementares solicitados na primeira consulta, com os seguintes resultados: - Hb: 13g/dl; - Tipagem Sanguínea e Fator Rh: O+; - Glicemia de Jejum: 76mg/dl; - VDRL: não reagente; - Anti HIV 1 e 2 : não reagentes; - Sorologia para toxoplasmose: IgM (+) e IgG (+); - HBsAg: não reagente; - Sumário de urina: sem alterações. Baseando-se nas recomendações dos protocolos do Ministério da Saúde, neste momento, qual a conduta mais adequada para esse caso?
Toxoplasmose gestacional: IgM (+) e IgG (+) → Solicitar avidez de IgG. Se baixa, iniciar espiramicina.
Em gestantes com sorologia para toxoplasmose apresentando IgM (+) e IgG (+), é fundamental diferenciar infecção aguda recente de infecção antiga. O teste de avidez de IgG é o método mais eficaz para isso: baixa avidez indica infecção recente (menos de 3-4 meses), enquanto alta avidez sugere infecção antiga. A espiramicina é indicada para reduzir o risco de transmissão vertical em casos de infecção materna aguda.
A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii, e sua aquisição durante a gestação representa um risco significativo de transmissão vertical para o feto, com potenciais sequelas graves. A prevalência da infecção varia geograficamente, e a triagem sorológica faz parte da rotina do pré-natal no Brasil. A interpretação correta dos exames sorológicos é fundamental para o manejo adequado. Quando uma gestante apresenta sorologia com IgM (+) e IgG (+), a interpretação inicial é incerta, pois pode indicar tanto uma infecção aguda recente quanto uma infecção antiga com IgM persistente. Nesses casos, o teste de avidez de IgG é o próximo passo diagnóstico essencial. A baixa avidez de IgG indica uma infecção adquirida nos últimos 3-4 meses, configurando um risco elevado de transmissão vertical. Já a alta avidez de IgG sugere uma infecção antiga, geralmente adquirida há mais de 3-4 meses, com baixo risco de transmissão vertical. A pesquisa de infecção fetal (amniocentese para PCR) é considerada se a infecção materna for confirmada como recente. A conduta terapêutica depende do resultado da avidez. Se a avidez for baixa (infecção recente), a espiramicina deve ser iniciada imediatamente para reduzir o risco de transmissão placentária para o feto. Se a avidez for alta (infecção antiga), a gestante é considerada imune e não há necessidade de tratamento. Em casos de infecção fetal confirmada, o tratamento é alterado para sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. O acompanhamento ultrassonográfico é importante para monitorar sinais de infecção fetal, como ventriculomegalia ou calcificações intracranianas.
O teste de avidez de IgG é crucial para determinar o tempo da infecção. Baixa avidez sugere infecção recente (nos últimos 3-4 meses), enquanto alta avidez indica infecção antiga. Isso é vital para definir o risco de transmissão vertical e a conduta terapêutica.
A espiramicina deve ser iniciada em gestantes com suspeita ou confirmação de infecção aguda por toxoplasmose (geralmente indicada por baixa avidez de IgG). Seu objetivo é reduzir o risco de transmissão do parasita para o feto, não tratando a infecção fetal já estabelecida.
A toxoplasmose congênita pode causar uma série de complicações graves, incluindo coriorretinite, hidrocefalia, calcificações intracranianas, microcefalia, surdez e retardo psicomotor. O risco e a gravidade das sequelas variam conforme o trimestre da infecção materna.
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