Toxoplasmose na Gravidez: Conduta em Gestante Suscetível

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2023

Enunciado

Quando a infecção por toxoplasmose é adquirida pela primeira vez durante a gravidez, os parasitas podem ser transmitidos da mãe para o feto, resultando em toxoplasmose congênita. Uma gestante de 14 semanas comparece à consulta trazendo resultados da primeira rotina laboratorial. Possui sorologia para toxoplasmose IgG não reagente e IgM não reagente. Qual a conduta mais correta a ser seguida?

Alternativas

  1. A) Considerar a paciente imune e tranquilizá-la com relação à doença.
  2. B) Solicitar teste de avidez para determinar quando houve a infecção e avaliar se há necessidade de tratamento.
  3. C) Iniciar o tratamento com Espiramicina imediatamente.
  4. D) Considerar a paciente não imunizada e repetir a sorologia no segundo e no terceiro trimestres, além de orientar sobre a alimentação e os riscos da infecção.

Pérola Clínica

Gestante IgG/IgM não reagente → Não imune, repetir sorologia e orientar prevenção.

Resumo-Chave

Uma gestante com sorologia IgG e IgM não reagentes para toxoplasmose é considerada suscetível à infecção primária. A conduta correta é orientá-la sobre as medidas preventivas e repetir a sorologia nos trimestres subsequentes para monitorar uma possível soroconversão.

Contexto Educacional

A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii, e sua aquisição durante a gravidez é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão congênita. A toxoplasmose congênita pode resultar em graves sequelas para o feto, incluindo aborto, prematuridade, hidrocefalia, calcificações cerebrais e coriorretinite. A prevalência da infecção varia geograficamente, e a triagem sorológica é uma parte essencial do cuidado pré-natal. O diagnóstico da toxoplasmose na gestação é feito principalmente por sorologia. Uma gestante com IgG e IgM não reagentes é considerada suscetível, ou seja, nunca teve contato com o parasita e, portanto, não possui imunidade. Nesses casos, o risco de adquirir a infecção primária durante a gravidez é real e pode ter consequências graves para o feto. A conduta mais correta para uma gestante suscetível é a orientação rigorosa sobre as medidas preventivas, como evitar carne crua, lavar bem alimentos, evitar contato com fezes de gato e usar luvas na jardinagem. Além disso, é fundamental repetir a sorologia no segundo e terceiro trimestres para monitorar uma possível soroconversão, que indicaria uma infecção aguda. O tratamento com espiramicina é indicado apenas se houver evidência de infecção aguda materna, para reduzir o risco de transmissão vertical, ou após a confirmação da infecção fetal.

Perguntas Frequentes

Quais são os riscos da toxoplasmose adquirida durante a gravidez?

A infecção primária por toxoplasmose durante a gravidez pode levar à toxoplasmose congênita, com riscos de aborto espontâneo, prematuridade, hidrocefalia, calcificações intracranianas, coriorretinite e deficiência neurológica no feto.

Como uma gestante pode prevenir a infecção por toxoplasmose?

As medidas preventivas incluem evitar o consumo de carne crua ou malpassada, lavar bem frutas e vegetais, evitar contato com fezes de gato e usar luvas ao manusear terra ou jardinagem.

Quando o teste de avidez para toxoplasmose é indicado?

O teste de avidez de IgG é indicado quando a sorologia sugere infecção recente (IgM reagente e IgG reagente) para ajudar a diferenciar uma infecção aguda de uma infecção crônica, auxiliando na decisão de tratamento.

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