SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024
Gestante, 26 anos de idade, tercigesta e secundípara (partos normais), sem comorbidades, vem em consulta de rotina pré-natal com 11 semanas e com o seguinte resultado de sorologia para toxoplasmose: IGM: reagente e IGG reagente. Feito teste de avidez: baixa avidez.Indique o procedimento, no segundo trimestre, que poderá avaliar presença de infecção fetal, através do PCR (reação em cadeia de polimerase):
IgM+/IgG+ com baixa avidez < 16 sem → Infecção aguda; Amniocentese (PCR) após 18 sem.
A identificação de baixa avidez de IgG em gestante com IgM reagente no primeiro trimestre confirma infecção aguda recente, exigindo investigação de transmissão vertical via amniocentese.
A toxoplasmose na gestação é uma condição de grande relevância clínica devido ao risco de sequelas graves no feto, como a tríade de Sabin (coriorretinite, calcificações intracranianas e hidrocefalia). O rastreio sorológico é fundamental no pré-natal brasileiro. Quando nos deparamos com IgM e IgG reagentes no primeiro trimestre, o teste de avidez torna-se o divisor de águas: se alta, tranquiliza-se a paciente; se baixa, inicia-se o protocolo de investigação e tratamento. A amniocentese para PCR do líquido amniótico revolucionou o diagnóstico fetal, substituindo a cordocentese (que possui maiores riscos). A sensibilidade do PCR é alta, especialmente após a 18ª semana. É crucial que o médico assistente saiba que o tratamento medicamentoso materno não deve ser retardado enquanto se aguarda o procedimento invasivo. A vigilância ultrassonográfica mensal também é mandatória para monitorar sinais de comprometimento do sistema nervoso central e hidropisia fetal.
A amniocentese está indicada sempre que houver confirmação ou suspeita fundamentada de infecção aguda materna por Toxoplasma gondii durante a gestação. O objetivo é realizar a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) no líquido amniótico para detectar o DNA do parasita, confirmando a transmissão vertical. O procedimento deve ser realizado preferencialmente a partir da 18ª semana de gestação. Realizá-lo precocemente aumenta o risco de resultados falso-negativos, pois a carga parasitária no líquido amniótico pode ainda não ser detectável, além de haver riscos inerentes ao procedimento invasivo antes da fusão das membranas amnióticas.
O teste de avidez de IgG é uma ferramenta diagnóstica utilizada quando tanto o IgM quanto o IgG são reagentes. Ele mede a força de ligação entre o anticorpo IgG e o antígeno. Uma 'alta avidez' (geralmente >60%) realizada antes de 16 semanas de gestação exclui infecção adquirida nos últimos 3 a 4 meses, sugerindo infecção pré-concepcional. Já uma 'baixa avidez' sugere infecção recente, mas não a confirma isoladamente, pois alguns indivíduos mantêm baixa avidez por períodos prolongados. No contexto da questão, a baixa avidez com 11 semanas confirma que a infecção ocorreu durante a gestação ou muito próximo a ela, indicando alto risco de transmissão.
Assim que confirmada a infecção aguda materna (IgM reagente com IgG de baixa avidez ou soroconversão), deve-se iniciar imediatamente a espiramicina. A espiramicina é um macrolídeo que se concentra na placenta, agindo como uma barreira para tentar reduzir a taxa de transmissão vertical, mas ela não atravessa a barreira placentária de forma eficaz para tratar o feto. Se a infecção fetal for confirmada pelo PCR no líquido amniótico ou por alterações ultrassonográficas, o esquema deve ser alterado para a tríplice clássica (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico) após a 18ª semana, visando tratar o feto infectado.
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