UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Mulher, 24a, G1P0A0, idade gestacional de 11 semanas e 6 dias, vem para avaliação de exames de rotina pré-natal. Hb= 11,6g/dL, Ht= 33%, glicemia de jejum= 91mg/dL; Exame sumário de urina= normal, Urocultura= negativa, VDRL= não reagente, HIV= não reagente, Toxoplasmose: lgG= reagente e lgM= reagente. PARA ELUCIDAÇÃO DIAGNÓSTICA DEVE-SE SOLICITAR:
Toxoplasmose IgG+ IgM+ na gestação → solicitar teste de avidez de IgG para datar a infecção.
A presença de IgG e IgM reagentes para toxoplasmose em gestantes indica a necessidade de investigar a data da infecção. O teste de avidez de IgG é fundamental para diferenciar uma infecção aguda recente (baixo risco de avidez) de uma infecção antiga com IgM persistente (alto risco de avidez), o que impacta diretamente a conduta e o prognóstico fetal.
A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii, e sua aquisição durante a gestação representa um risco significativo para o feto, podendo causar a toxoplasmose congênita. O diagnóstico sorológico é fundamental no pré-natal, e a interpretação dos resultados de IgG e IgM é crucial. A presença de IgG reagente indica contato prévio com o parasita, enquanto a IgM reagente sugere infecção recente. No entanto, a IgM pode persistir por longos períodos, o que dificulta a datação da infecção apenas com esses marcadores. Quando uma gestante apresenta IgG e IgM reagentes, o próximo passo diagnóstico essencial é a realização do teste de avidez de IgG. A avidez de IgG mede a força de ligação entre os anticorpos IgG e os antígenos do Toxoplasma. Anticorpos produzidos em infecções recentes (até 3-4 meses) têm baixa avidez, enquanto anticorpos de infecções antigas têm alta avidez. Este teste permite diferenciar uma infecção aguda adquirida durante a gestação de uma infecção crônica com IgM persistente, o que é vital para determinar o risco de transmissão vertical e a necessidade de intervenção. Para residentes, a correta interpretação da sorologia para toxoplasmose e a indicação do teste de avidez de IgG são conhecimentos indispensáveis no acompanhamento pré-natal. Uma conduta adequada baseada nesses resultados pode evitar tratamentos desnecessários ou, inversamente, garantir a intervenção precoce em casos de infecção aguda, minimizando os riscos de sequelas graves para o feto. A compreensão desses conceitos é fundamental para a prática clínica e para a aprovação em provas de residência.
O teste de avidez de IgG é crucial para datar a infecção por toxoplasmose. Uma baixa avidez sugere infecção recente (nos últimos 3-4 meses), enquanto uma alta avidez indica infecção antiga (mais de 3-4 meses), ajudando a determinar o risco de transmissão vertical e a necessidade de tratamento.
A toxoplasmose aguda adquirida durante a gestação pode levar a graves malformações congênitas no feto, como hidrocefalia, calcificações intracranianas, coriorretinite e retardo psicomotor, especialmente se a infecção ocorrer no primeiro e segundo trimestres.
A conduta inicial é solicitar o teste de avidez de IgG. Se a avidez for alta, a infecção é antiga e o risco fetal é baixo. Se a avidez for baixa ou indeterminada, a infecção é provavelmente recente, e medidas como acompanhamento ultrassonográfico fetal e possível tratamento com espiramicina devem ser consideradas.
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