IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026
Uma gestante de 27 anos, com 12 semanas de idade gestacional, apresenta sorologia positiva para toxoplasmose lgG e lgM. A conduta indicada é:
Gestante < 16 sem com IgG+/IgM+ → Solicitar Teste de Avidez de IgG imediatamente.
O teste de avidez diferencia infecção aguda de cicatriz sorológica (IgM residual) no primeiro trimestre, orientando a necessidade de tratamento e investigação fetal.
A toxoplasmose gestacional é uma preocupação crítica no pré-natal devido ao risco de sequelas graves no feto, como a tríade de Sabin (coriorretinite, calcificações intracranianas e hidrocefalia). O diagnóstico baseia-se na sorologia. O grande desafio clínico é o 'IgM residual', que pode permanecer positivo por meses ou anos após a infecção inicial, não indicando necessariamente doença aguda. Por isso, em gestantes com IgG e IgM reagentes no primeiro trimestre, o teste de avidez de IgG é a ferramenta de escolha. Se a avidez for alta antes de 16 semanas, a paciente é considerada imune e o pré-natal segue normalmente. Se a avidez for baixa ou se o diagnóstico for tardio (>16 semanas), a infecção aguda não pode ser excluída, e protocolos de tratamento e rastreio fetal (amniocentese para PCR) devem ser iniciados conforme as diretrizes do Ministério da Saúde.
O teste de avidez de IgG deve ser realizado idealmente até a 16ª semana de gestação. Uma alta avidez (geralmente >60%) indica que a infecção ocorreu há pelo menos 3 a 4 meses, excluindo infecção aguda durante a gestação atual se realizado no primeiro trimestre. Uma baixa avidez sugere infecção recente (nos últimos 3 meses), exigindo início imediato de tratamento e investigação de transmissão vertical.
Nesta situação de soroconversão ou infecção muito recente, a conduta é iniciar imediatamente a Espiramicina e repetir a sorologia em 2 a 3 semanas. Se o IgG se tornar positivo, confirma-se a infecção aguda. Se o IgG permanecer negativo, o IgM pode ser um falso-positivo ou residual, mas o tratamento não deve ser retardado enquanto se aguarda a confirmação.
A Espiramicina é usada para profilaxia da transmissão vertical (não atravessa a placenta em níveis terapêuticos para o feto). A terapia tríplice (Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico) é indicada quando há confirmação ou suspeita de infecção fetal (via PCR do líquido amniótico após 18 semanas) ou quando a infecção materna ocorre no terceiro trimestre, devido ao alto risco de transmissão.
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