Toxoplasmose Gestacional: IgM e IgG Reagentes no Pré-Natal

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2022

Enunciado

Paciente gestante vem para primeira consulta de pré-natal com idade gestacional de 10 semanas, calculada por ultrassom de primeiro trimestre. Traz exames realizados há 3 dias, cujos resultados mostram Sorologia para toxoplasmose IgM Reagente e IgG reagente. Diante dessa situação, qual a conduta mais adequada:

Alternativas

  1. A) Solicitar Teste de Avidez de IgG para Toxoplasmose para decidir se deve-se iniciar tratamento.
  2. B) Considerar infecção aguda e iniciar tratamento com Espiramicina.
  3. C) Iniciar Espiramicina e solicitar Teste de avidez de IgG para toxoplasmose para decidir se medicação deve ser continuada.
  4. D) Repetir sorologia IgM e IgG para toxoplasmose.
  5. E) Realizar amniocentese para investigar infecção fetal.

Pérola Clínica

Gestante com IgM+ IgG+ para toxoplasmose → iniciar Espiramicina e solicitar avidez de IgG para definir continuidade.

Resumo-Chave

A presença de IgM e IgG reagentes para toxoplasmose em gestantes de 10 semanas sugere infecção recente ou reativação. Para proteger o feto, a conduta inicial é iniciar Espiramicina. O teste de avidez de IgG é crucial para diferenciar infecção aguda de infecção pregressa, guiando a continuidade ou interrupção do tratamento.

Contexto Educacional

A toxoplasmose é uma infecção parasitária causada pelo Toxoplasma gondii, que pode ser assintomática na maioria dos adultos imunocompetentes, mas representa um risco significativo quando adquirida durante a gestação. A infecção congênita pode levar a sérias sequelas fetais, tornando o rastreamento e manejo no pré-natal de extrema importância. Quando uma gestante apresenta sorologia com IgM e IgG reagentes, surge a dúvida sobre o momento da infecção: se é uma infecção aguda recente (adquirida durante a gestação) ou uma infecção pregressa com IgM persistente. O teste de avidez de IgG é a ferramenta diagnóstica chave nesse cenário. Uma alta avidez de IgG (> 60%) geralmente exclui infecção aguda nos últimos 3-4 meses, enquanto uma baixa avidez (< 30%) sugere infecção recente. Diante da suspeita de infecção aguda (IgM+ IgG+), a conduta inicial é a profilaxia da transmissão vertical com Espiramicina, um antibiótico que se acumula na placenta e reduz o risco de infecção fetal. O resultado do teste de avidez de IgG, juntamente com a idade gestacional e outros exames (como ultrassonografia fetal e, em alguns casos, amniocentese), irá guiar a decisão sobre a continuidade da Espiramicina ou a introdução de um esquema terapêutico mais agressivo (pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico) se a infecção fetal for confirmada.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do teste de avidez de IgG na toxoplasmose gestacional?

O teste de avidez de IgG ajuda a diferenciar uma infecção recente (baixa avidez) de uma infecção pregressa (alta avidez). Isso é crucial para determinar se a infecção ocorreu durante a gestação ou antes, guiando a conduta terapêutica.

Por que a Espiramicina é iniciada em gestantes com suspeita de toxoplasmose aguda?

A Espiramicina é um macrolídeo que atravessa a placenta em baixa concentração, mas se concentra no tecido placentário, reduzindo o risco de transmissão vertical do Toxoplasma gondii para o feto.

Quais são os riscos da toxoplasmose congênita para o feto?

A toxoplasmose congênita pode causar aborto espontâneo, prematuridade, hidrocefalia, calcificações intracranianas, coriorretinite e deficiência neurológica, com a gravidade variando conforme o trimestre da infecção materna.

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