Toxoplasmose na Gravidez: Diagnóstico com Teste de Avidez IgG

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024

Enunciado

Ao avaliar os resultados dos exames solicitados na primeira consulta de pré-natal, obstetra constatou que a paciente não era imune para rubéola, apresentava sorologias negativas para sífilis, AIDS e hepatite B, porém, a sorologia para toxoplasmose revelou tanto IGM quanto IGG positivas. Assinale a alternativa, dentre as elencadas abaixo, que representa a conduta CORRETA do médico pré-natalista consultado.

Alternativas

  1. A) Indicou sorovigilância para sífilis nos trimestres subsequentes e pesquisa fetal para toxoplasmose.
  2. B) Solicitou vacinação contra a rubéola após o primeiro trimestre da gravidez.
  3. C) Orientou a paciente a usar preservativo em todas as relações sexuais a partir de então e, assim, evitar sorovigilância sequencial para sífilis e AIDS.
  4. D) Solicitou teste de avidez de IGG para toxoplasmose, para diferenciar entre doença recente ou ocorrida 4 meses antes da gravidez.

Pérola Clínica

Toxoplasmose gestacional: IgM+ IgG+ → Teste de avidez IgG para datar infecção (recente vs. pré-gestacional).

Resumo-Chave

A presença de IgM e IgG positivas para toxoplasmose na gestação indica uma possível infecção recente. O teste de avidez de IgG é crucial para diferenciar uma infecção adquirida antes ou durante a gestação, o que impacta diretamente a conduta e o risco de toxoplasmose congênita.

Contexto Educacional

A toxoplasmose é uma infecção parasitária causada pelo Toxoplasma gondii, que pode ser assintomática na maioria dos adultos imunocompetentes. No entanto, a infecção adquirida durante a gestação pode ter consequências graves para o feto, resultando em toxoplasmose congênita, que pode causar hidrocefalia, calcificações intracranianas, coriorretinite e retardo psicomotor. O rastreamento sorológico é parte essencial do pré-natal. A interpretação da sorologia para toxoplasmose é crucial. A presença de IgM positiva e IgG positiva indica uma possível infecção recente. No entanto, o IgM pode persistir por meses ou até anos após a infecção aguda. Para diferenciar uma infecção recente (adquirida durante a gestação) de uma infecção antiga (adquirida antes da gestação), o teste de avidez de IgG é indispensável. Um teste de avidez de IgG alta (> 30%) geralmente exclui infecção recente (adquirida nos últimos 4 meses), indicando que a infecção ocorreu há mais tempo e, portanto, o risco de transmissão fetal é baixo. Já uma avidez baixa (< 30%) sugere infecção recente, exigindo investigação adicional e, possivelmente, tratamento para reduzir o risco de toxoplasmose congênita. A conduta para outras sorologias negativas (rubéola, sífilis, AIDS, hepatite B) envolve orientações e sorovigilância conforme protocolo.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do teste de avidez de IgG na toxoplasmose gestacional?

O teste de avidez de IgG é fundamental para datar a infecção por toxoplasmose. Uma alta avidez sugere infecção antiga (mais de 4 meses), enquanto uma baixa avidez indica infecção recente (nos últimos 4 meses), o que é crucial para avaliar o risco de transmissão congênita.

Quando a infecção por toxoplasmose na gestação representa maior risco para o feto?

O maior risco de transmissão congênita e de doença fetal grave ocorre quando a infecção materna é adquirida no primeiro e segundo trimestres da gestação, especialmente no início do segundo trimestre.

Qual a conduta se o teste de avidez de IgG indicar infecção recente por toxoplasmose?

Se o teste de avidez indicar infecção recente, a conduta inclui iniciar tratamento com espiramicina para reduzir o risco de transmissão fetal e considerar a pesquisa de infecção fetal por amniocentese.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo