Toxoplasmose Gestacional: Interpretação Sorológica

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

Toxoplasmose é uma doença comum e muito subnotificada na população em geral. A solicitação de sorologia para tal parasitose é mandatória em todo pré-natal no Brasil. A respeito da toxoplasmose gestacional, assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A) Se, no 1.º trimestre de gestação, a paciente apresentar IgG positivo e IgM negativo, não deve ser iniciada qualquer conduta terapêutica, devendo-se presumir infecção prévia.
  2. B) Se, nas sorologias do 1.º trimestre de gestação, a paciente apresentar IgG e IgM negativos, não há necessidade de recomendação especial à paciente a esse respeito.
  3. C) Se paciente com IgM negativo positivar ao longo da gestação, deve-se presumir infecção aguda e iniciar o uso de espiramicina, que deve ser usada por 90 dias ou até novo exame.
  4. D) Se no 1.º trimestre de gestação for realizado o teste de avidez para IgG, o resultado for elevado (> 60%), a paciente deve ser encaminhada ao pré-natal de alto risco, para que seja iniciado o tratamento o mais precocemente possível.

Pérola Clínica

Toxoplasmose na gestação: IgG+ IgM- → infecção prévia, sem tratamento. IgM+ → investigar infecção aguda.

Resumo-Chave

IgG positivo e IgM negativo para toxoplasmose no primeiro trimestre indica uma infecção prévia à gestação, conferindo imunidade e não requerendo tratamento. A paciente é considerada protegida e não há risco de transmissão congênita aguda.

Contexto Educacional

A toxoplasmose é uma infecção parasitária causada pelo Toxoplasma gondii, de grande relevância no contexto gestacional devido ao risco de transmissão congênita e suas graves consequências para o feto. O rastreamento sorológico é mandatório no pré-natal brasileiro para identificar o status imunológico da gestante e guiar a conduta. A interpretação correta da sorologia é crucial. Se no primeiro trimestre de gestação a paciente apresentar IgG positivo e IgM negativo, isso indica uma infecção prévia ao período gestacional. Nesse cenário, a paciente já possui anticorpos protetores (IgG) e não há evidência de infecção aguda (IgM negativo), o que significa que ela está imune e não há risco de transmissão congênita ativa. Portanto, nenhuma conduta terapêutica é necessária, e a gestação pode prosseguir sem preocupações adicionais relacionadas à toxoplasmose. Por outro lado, se a paciente apresentar IgG e IgM negativos, ela é suscetível e deve ser orientada sobre medidas preventivas e realizar sorologias de controle. Se houver IgM positivo, com ou sem IgG positivo, é necessário aprofundar a investigação para determinar se é uma infecção aguda recente (com teste de avidez para IgG) ou uma infecção antiga com IgM persistente. O manejo adequado da toxoplasmose gestacional é essencial para a saúde materno-fetal e exige um conhecimento aprofundado da interpretação sorológica por parte dos residentes.

Perguntas Frequentes

Como interpretar IgG positivo e IgM negativo para toxoplasmose no início da gestação?

Essa combinação sorológica indica que a paciente teve contato com o Toxoplasma gondii em algum momento antes da gestação e desenvolveu imunidade, não havendo risco de infecção congênita aguda. Nenhuma conduta terapêutica é necessária.

O que significa ter IgG e IgM negativos para toxoplasmose na gestação?

Significa que a paciente nunca teve contato com o parasita e é suscetível à infecção. Nesses casos, é fundamental orientar medidas preventivas rigorosas e repetir a sorologia mensalmente ou trimestralmente.

Quando o teste de avidez para IgG é útil na toxoplasmose gestacional?

O teste de avidez para IgG é útil quando há IgG e IgM positivos, para diferenciar uma infecção recente (baixa avidez) de uma infecção antiga (alta avidez). Alta avidez no primeiro trimestre geralmente exclui infecção aguda na gestação.

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