UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Primigesta com 10 semanas de gestação trouxe à consulta resultados de exames sorológicos para toxoplasmose realizados há 1 semana, evidenciando IgG não reagente e IgM reagente. Com base nesses resultados, assinale a alternativa que contempla a conduta correta:
Toxoplasmose gestacional (IgG- IgM+): Iniciar espiramicina, solicitar avidez IgG e repetir sorologia em 3-4 semanas.
Em gestantes com sorologia IgG não reagente e IgM reagente para toxoplasmose, há forte suspeita de infecção aguda recente. A conduta inicial é iniciar espiramicina para reduzir o risco de transmissão vertical e solicitar o teste de avidez de IgG para auxiliar na datação da infecção. A repetição da sorologia é fundamental para confirmar a soroconversão e a fase da infecção.
A toxoplasmose na gestação representa um desafio diagnóstico e terapêutico devido ao potencial de transmissão vertical e suas graves consequências para o feto. A primoinfecção materna, especialmente no primeiro e segundo trimestres, é a mais preocupante. A interpretação correta dos exames sorológicos é fundamental para o manejo adequado e para a prevenção da toxoplasmose congênita, sendo um tema recorrente em provas de residência. Quando uma gestante apresenta IgG não reagente e IgM reagente, a suspeita de infecção aguda recente é alta. No entanto, o IgM pode persistir por meses ou anos após a infecção. Por isso, a conduta inicial envolve o início imediato de espiramicina para profilaxia da transmissão vertical, a solicitação do teste de avidez de IgG para auxiliar na datação da infecção e a repetição da sorologia (IgG e IgM) em 3-4 semanas para confirmar a soroconversão e a fase da doença. O teste de avidez de IgG é um marcador importante: alta avidez praticamente exclui infecção recente (nos últimos 3-4 meses), enquanto baixa avidez é compatível com infecção recente. Se a infecção aguda for confirmada e datada para um período de risco para o feto, a investigação da infecção fetal através de punção de líquido amniótico para PCR pode ser considerada, geralmente após 18 semanas de gestação. O tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico é reservado para casos de infecção fetal confirmada ou alta suspeita.
O teste de avidez de IgG é crucial para datar a infecção. Uma alta avidez de IgG geralmente indica infecção ocorrida há mais de 12-16 semanas, enquanto uma baixa avidez sugere infecção recente (nos últimos 3-4 meses).
A espiramicina é utilizada inicialmente para reduzir o risco de transmissão vertical do parasita para o feto, pois se concentra na placenta. Ela não trata a infecção fetal já estabelecida, mas previne sua ocorrência.
A punção de líquido amniótico para PCR é indicada para investigar a infecção fetal após a confirmação da primoinfecção materna, geralmente após 18 semanas de gestação e 4 semanas após a soroconversão materna, para avaliar a presença do parasita no feto.
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