Toxoplasmose na Gravidez: Diagnóstico e Manejo Fetal

UNIRG Revalida - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022

Enunciado

Durante pesquisa de toxoplasmose em uma primigesta, com 13 semanas de idade gestacional, a dosagem do IgG e a do IgM vieram positivas. Gestante nega contato atual com gatos ou histórico prévio de toxoplasmose.Baseando-se na situação apresentada, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) tal combinação sorológica relata uma infecção aguda inicial. Para se evitar o risco de falsos-positivos, pode-se repetir a sorologia após duas semanas ou solicitar a dosagem de anticorpos IgA. Em casos falso-positivos, a IgG e a IgA se tornarão positivos.
  2. B) tal combinação sorológica relata uma infecção subaguda ou recente, devendo ser realizado o teste de avidez. Valores inferiores a 30% no referido teste são indicativos de infecção prévia (há mais de 4 meses), ao passo que valores superiores a 60% indicam infecção aguda (há menos de 4 meses).
  3. C) caso se confirme a infecção aguda materna, dever-se-á iniciar o uso de espiramicina, além de pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico para tratamento do feto.
  4. D) após o diagnóstico de uma infecção aguda, deve-se rastrear o feto quanto à possibilidade de infecção, com base na análise do líquido amniótico por amniocentese (a partir da 18ª semana de gestação), com a realização de PCR (reação em cadeia de polimerase) para pesquisa do Toxoplasma gondii.

Pérola Clínica

Toxoplasmose gestacional: IgG e IgM+ → teste de avidez IgG para datar infecção. Se aguda, amniocentese com PCR fetal.

Resumo-Chave

A combinação de IgG e IgM positivas em gestante sugere infecção recente ou aguda. O teste de avidez de IgG é crucial para diferenciar infecção aguda de infecção prévia. Se confirmada infecção aguda, o próximo passo é avaliar a transmissão fetal através de amniocentese com PCR para Toxoplasma gondii, geralmente a partir da 18ª semana.

Contexto Educacional

A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita *Toxoplasma gondii*, e sua aquisição durante a gestação pode ter sérias consequências para o feto, resultando na toxoplasmose congênita. O diagnóstico precoce da infecção materna e a avaliação da transmissão fetal são cruciais para o manejo adequado. A sorologia é a principal ferramenta diagnóstica, e a interpretação dos resultados de IgG e IgM é fundamental. Quando uma gestante apresenta IgG e IgM positivas, a infecção pode ser recente ou antiga. Nesses casos, o teste de avidez de IgG é essencial: uma alta avidez (>60%) geralmente exclui infecção recente (adquirida nos últimos 4 meses), enquanto uma baixa avidez (<30%) sugere infecção aguda ou muito recente. Se a infecção aguda materna for confirmada, o tratamento com espiramicina deve ser iniciado para a mãe, visando reduzir o risco de transmissão vertical para o feto. A investigação da infecção fetal é realizada por amniocentese, geralmente a partir da 18ª semana de gestação, com a pesquisa do DNA do *Toxoplasma gondii* no líquido amniótico por PCR. Se a infecção fetal for confirmada, o esquema terapêutico para a gestante é alterado para pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico, que atravessam a placenta e tratam o feto. O acompanhamento ultrassonográfico detalhado também é importante para identificar sinais de infecção fetal.

Perguntas Frequentes

Como interpretar IgG e IgM positivas para toxoplasmose na gestação?

IgG e IgM positivas indicam infecção recente ou aguda. Para datar a infecção, deve-se realizar o teste de avidez de IgG. Alta avidez sugere infecção prévia (>4 meses), baixa avidez sugere infecção recente (<4 meses).

Qual a conduta após confirmar toxoplasmose aguda materna?

Após a confirmação da infecção aguda materna, inicia-se espiramicina para reduzir a transmissão vertical. Para avaliar a infecção fetal, realiza-se amniocentese com PCR para Toxoplasma gondii a partir da 18ª semana de gestação.

Quando é indicado o tratamento fetal para toxoplasmose?

O tratamento fetal com pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico é indicado apenas após a confirmação da infecção fetal, geralmente por PCR positivo no líquido amniótico, e não apenas pela infecção materna.

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