INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2020
Gestante na 10.a semana apresenta IgG e IgM positivas para toxoplasmose. A pesquisa de avidez da IgG revela taxas de alta avidez. Qual a conduta mais adequada para o caso?
Toxoplasmose gestacional: IgG e IgM + com alta avidez → infecção PRÉ-gestacional, sem risco fetal agudo.
A alta avidez da IgG para toxoplasmose indica que a infecção ocorreu há mais de 12-16 semanas, geralmente antes da gestação. Nesses casos, o risco de transmissão congênita é mínimo ou inexistente, tranquilizando a gestante e evitando intervenções desnecessárias.
A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii, que pode ser assintomática na maioria dos adultos imunocompetentes, mas grave em gestantes e imunocomprometidos. A infecção materna durante a gravidez pode levar à toxoplasmose congênita, com risco de sequelas neurológicas e oculares graves para o feto. O diagnóstico precoce e a correta interpretação dos exames sorológicos são cruciais para a conduta adequada e para evitar danos fetais. O diagnóstico sorológico da toxoplasmose na gestação envolve a pesquisa de anticorpos IgG e IgM. A presença de IgM positiva, isoladamente ou em conjunto com IgG positiva, pode indicar infecção recente. No entanto, a IgM pode persistir por meses ou até anos, levando a falsas interpretações. Nesses casos, o teste de avidez da IgG é essencial: alta avidez (>60%) praticamente exclui infecção recente (adquirida nos últimos 3-4 meses), enquanto baixa avidez (<30%) sugere infecção aguda. A conduta depende da datação da infecção. Se a avidez da IgG é alta, a infecção é considerada pré-gestacional, e não há risco de toxoplasmose congênita ativa, tranquilizando a gestante e evitando tratamentos ou procedimentos invasivos desnecessários como a amniocentese. Se a infecção for aguda (baixa avidez ou soroconversão), a gestante deve ser tratada com espiramicina para reduzir o risco de transmissão vertical, e o feto monitorado para sinais de infecção, podendo ser indicada amniocentese para PCR do líquido amniótico e tratamento fetal com pirimetamina e sulfadiazina se a infecção for confirmada.
O teste de avidez de IgG é fundamental para datar a infecção por Toxoplasma gondii. Alta avidez indica infecção adquirida há mais de 12-16 semanas, geralmente antes da gestação, enquanto baixa avidez sugere infecção recente.
O tratamento é indicado quando há suspeita de infecção aguda materna durante a gestação (baixa avidez de IgG ou soroconversão) para reduzir o risco de transmissão fetal e tratar o feto infectado. A espiramicina é usada para profilaxia da transmissão, e pirimetamina/sulfadiazina para infecção fetal confirmada.
A toxoplasmose congênita pode causar coriorretinite, hidrocefalia, calcificações intracranianas, microcefalia, convulsões e retardo psicomotor, com gravidade variável dependendo do trimestre da infecção materna.
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