UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023
Durante consulta de pré-natal na atenção primária, gestante apresenta os seguintes resultados de sorologia para toxoplasmose:As condutas corretas são:
Toxoplasmose fetal confirmada: tratar com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico; amniocentese já realizada ou não indicada.
Na toxoplasmose gestacional, a conduta depende do status da infecção materna e fetal. Se a infecção fetal é confirmada (ou altamente suspeita em estágio avançado), o tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico é indicado para o feto. A amniocentese é para diagnóstico fetal, e sua necessidade cessa após a confirmação ou em situações específicas.
A toxoplasmose na gestação é uma infecção parasitária causada pelo Toxoplasma gondii que, se transmitida ao feto, pode causar a toxoplasmose congênita, uma condição grave com potencial para sequelas neurológicas, oculares e sistêmicas. O diagnóstico e manejo adequados são cruciais para minimizar os riscos. A sorologia materna é o primeiro passo para avaliar o status imunológico da gestante e identificar infecções agudas. A conduta terapêutica depende do momento da infecção materna e da confirmação ou não da infecção fetal. Se a gestante apresenta infecção aguda (IgM e/ou IgG reagentes com avidez baixa), o tratamento inicial para prevenir a transmissão vertical é com espiramicina. Se a infecção fetal for confirmada (geralmente por PCR no líquido amniótico obtido via amniocentese), ou se houver alta suspeita de infecção fetal em idade gestacional avançada, o tratamento passa a ser com a combinação de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. O ácido folínico é essencial para mitigar os efeitos mielossupressores da pirimetamina. Para residentes, é fundamental diferenciar as indicações de cada esquema terapêutico e a importância da amniocentese como método diagnóstico da infecção fetal. A ausência de necessidade de amniocentese, como sugerido na alternativa correta, pode indicar que a infecção fetal já foi confirmada por exames prévios ou que a idade gestacional é avançada, e o tratamento empírico para o feto é iniciado com base em outros achados ou alta suspeita clínica, visando a proteção fetal e minimizando as sequelas da toxoplasmose congênita.
Para gestantes com toxoplasmose aguda e feto não infectado (ou status desconhecido), a espiramicina é o tratamento de primeira linha para reduzir o risco de transmissão vertical.
A amniocentese é indicada para diagnosticar a infecção fetal por PCR no líquido amniótico, geralmente após 18 semanas de gestação, se houver infecção materna aguda.
O ácido folínico é administrado para prevenir a mielossupressão, especialmente a anemia megaloblástica, que é um efeito colateral comum da pirimetamina.
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