Toxoplasmose na Gestação: Diagnóstico e Conduta com IgM/IgG+

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021

Enunciado

Uma paciente primigesta de dezessete anos de idade iniciou pré-natal tardiamente, com idade gestacional de dezenove semanas e quatro dias. Na consulta de retorno, então com vinte e uma semanas e seis dias, tem sorologia para toxoplasmose, com IgM e IgG positivos.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a melhor condução a partir do resultado recebido.

Alternativas

  1. A) iniciar espiramicina 3 g ao dia e encaminhar a gestante para a realização de amniocentese e pesquisa de PCR para toxoplasmose no líquido amniótico
  2. B) realizar teste de avidez da IgG para toxoplasmose e encaminhar a gestante para a realização de amniocentese e pesquisa de PCR para toxoplasmose no líquido amniótico se o teste apresentar alta avidez
  3. C) realizar teste de avidez da IgG para toxoplasmose e encaminhar a gestante para a realização de amniocentese e pesquisa de PCR para toxoplasmose no líquido amniótico se o teste apresentar baixa avidez
  4. D) iniciar espiramicina 3 g ao dia, realizar teste de avidez da IgG para toxoplasmose e manter a medicação se o teste apresentar alta avidez
  5. E) iniciar espiramicina 3 g ao dia, realizar teste de avidez da IgG para toxoplasmose e manter a medicação se o teste apresentar baixa avidez

Pérola Clínica

Toxoplasmose gestacional IgM/IgG positivos: Avidez IgG baixa → infecção recente; Avidez IgG alta → infecção antiga.

Resumo-Chave

Em gestante com IgM e IgG positivos para toxoplasmose, o teste de avidez da IgG é crucial para determinar o tempo da infecção. Baixa avidez sugere infecção recente (nos últimos 3-4 meses), indicando risco fetal e necessidade de tratamento e investigação invasiva.

Contexto Educacional

A toxoplasmose na gestação é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão congênita, que pode levar a graves sequelas fetais, como hidrocefalia, calcificações intracranianas e coriorretinite. O diagnóstico e a conduta adequados são cruciais para minimizar esses riscos. Quando uma gestante apresenta sorologia com IgM e IgG positivos para toxoplasmose, o primeiro passo é determinar se a infecção é recente ou antiga. Para isso, o teste de avidez da IgG é indispensável. Uma baixa avidez da IgG indica uma infecção recente, ocorrida nos últimos 3 a 4 meses, período de maior risco de transmissão vertical. Nesses casos, a conduta inicial é iniciar imediatamente a espiramicina (3g/dia) para reduzir o risco de transmissão transplacentária. Em seguida, para confirmar a infecção fetal, deve-se realizar amniocentese com pesquisa de PCR para *Toxoplasma gondii* no líquido amniótico. Se o PCR for positivo, a gestante deve ser tratada com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. Por outro lado, uma alta avidez da IgG indica uma infecção antiga (há mais de 3-4 meses), o que significa que o risco de transmissão congênita é muito baixo, e geralmente não há necessidade de tratamento ou investigação invasiva. O acompanhamento da gestante com toxoplasmose exige uma abordagem multidisciplinar e um entendimento claro dos resultados sorológicos para garantir a melhor condução clínica e o prognóstico fetal.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do teste de avidez da IgG para toxoplasmose em gestantes com IgM e IgG positivos?

O teste de avidez da IgG é fundamental para datar a infecção. Uma baixa avidez sugere infecção recente (nos últimos 3-4 meses), indicando maior risco de transmissão congênita e necessidade de investigação e tratamento. Alta avidez indica infecção antiga, com baixo risco de transmissão.

Quando a espiramicina deve ser iniciada em casos de toxoplasmose gestacional?

A espiramicina deve ser iniciada imediatamente após a suspeita de infecção materna recente (IgM e IgG positivos com baixa avidez ou soroconversão), para reduzir o risco de transmissão transplacentária ao feto.

Qual o papel da amniocentese e PCR no líquido amniótico na toxoplasmose gestacional?

A amniocentese com pesquisa de PCR para *Toxoplasma gondii* no líquido amniótico é indicada para confirmar a infecção fetal quando há suspeita de infecção materna recente, especialmente se a avidez da IgG for baixa.

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