Toxoplasmose na Gestação: Conduta com IgG e IgM Positivos

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente primigesta, com Idade Gestacional de 12 semanas, comparece à consulta pré-natal com resultado de exames de rotina evidenciando sorologia para toxoplasmose IGG positivo e IGM positivo. Qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Indicar imediatamente amniocentese, para pesquisa de PCR no líquido amniótico.
  2. B) Solicitar teste de avidez para IGG e, se baixa avidez, iniciar profilaxia com Espiramicina.
  3. C) Solicitar teste de avidez para IGG e, se alta avidez, iniciar tratamento com Espiramicina.
  4. D) Iniciar tratamento para toxoplasmose aguda com esquema tríplice: Pirimetamina + Sulfadiazina, intercalados com Espiramicina.

Pérola Clínica

Toxoplasmose gestacional IgG+ IgM+ → Avidez IgG: baixa = infecção recente, iniciar Espiramicina.

Resumo-Chave

Em gestantes com sorologia IgG e IgM positivas para toxoplasmose, o teste de avidez de IgG é essencial para determinar o tempo da infecção. Baixa avidez indica infecção recente, exigindo intervenção para reduzir o risco de transmissão congênita.

Contexto Educacional

A toxoplasmose na gestação é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão congênita e suas potenciais sequelas graves para o feto. A infecção é causada pelo parasita Toxoplasma gondii. A prevalência varia geograficamente, e a maioria das infecções maternas é assintomática, tornando o rastreamento sorológico pré-natal essencial. O diagnóstico da infecção materna aguda é complexo. A presença de IgG e IgM positivas indica contato com o parasita, mas não necessariamente uma infecção recente. O teste de avidez de IgG é o principal método para diferenciar uma infecção aguda recente de uma infecção crônica com IgM persistente. Baixa avidez sugere infecção nos últimos 3-4 meses, enquanto alta avidez indica infecção anterior a esse período. Em caso de baixa avidez, a infecção é considerada recente e há risco de transmissão vertical. A conduta inicial em caso de infecção materna aguda ou suspeita de infecção recente (baixa avidez de IgG) é a profilaxia com Espiramicina para reduzir o risco de transmissão placentária. Se a infecção fetal for confirmada (geralmente por PCR no líquido amniótico após amniocentese), o tratamento muda para o esquema tríplice (Pirimetamina, Sulfadiazina e Ácido Folínico), que é mais eficaz no tratamento da infecção fetal, mas com mais efeitos colaterais maternos. O acompanhamento ultrassonográfico fetal é fundamental.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do teste de avidez de IgG na toxoplasmose gestacional?

O teste de avidez de IgG é fundamental para datar a infecção. Baixa avidez sugere infecção recente (até 3-4 meses), enquanto alta avidez indica infecção antiga (mais de 4 meses), auxiliando na decisão terapêutica.

Quando a Espiramicina é indicada na toxoplasmose gestacional?

A Espiramicina é indicada como profilaxia para reduzir o risco de transmissão vertical quando há suspeita ou confirmação de infecção materna aguda recente, especialmente antes da confirmação de infecção fetal.

Quais os riscos da toxoplasmose congênita?

A toxoplasmose congênita pode causar coriorretinite, hidrocefalia, calcificações intracranianas e outras sequelas neurológicas e visuais, com gravidade variável dependendo do trimestre da infecção materna.

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