INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Uma primigesta de 26 anos de idade, com 20 semanas de gestação, assintomática, comparece à Unidade Básica de Saúde trazendo os seguintes exames: sorologia para toxoplasmose (IgG reagente e IgM reagente), com teste de avidez IgG evidenciando baixa avidez. Considerando essa situação, qual é a conduta mais indicada?
IgG+/IgM+ e baixa avidez < 16-20 sem → Iniciar Espiramicina + PCR líquido amniótico (amniocentese).
A baixa avidez de IgG em gestantes com sorologia positiva indica infecção recente. A conduta imediata visa prevenir a transmissão vertical e confirmar o status fetal.
A toxoplasmose gestacional representa um desafio clínico devido ao risco de sequelas graves no feto, como a tríade de Sabin (coriorretinite, calcificações intracranianas e hidrocefalia). O diagnóstico baseia-se na sorologia. O achado de IgM reagente exige cautela, pois o IgM pode persistir por anos ('IgM residual'). Por isso, o teste de avidez é crucial no início da gestação para datar a infecção. O manejo clínico prioriza a redução da taxa de transmissão vertical, que aumenta conforme a idade gestacional avança, embora a gravidade da doença fetal seja maior no primeiro trimestre. A espiramicina deve ser iniciada imediatamente após a suspeita de infecção aguda. A confirmação da infecção fetal via PCR no líquido amniótico altera o regime terapêutico para drogas que atravessam a placenta, visando o tratamento intrauterino e a redução de danos neurológicos e oculares.
O teste de avidez deve ser solicitado em gestantes com IgG e IgM reagentes, idealmente até a 16ª semana de gestação. Uma alta avidez (geralmente >60%) nesse período exclui infecção adquirida durante a gestação, indicando que a infecção ocorreu há pelo menos 4 meses. Após 20 semanas, o teste perde valor diagnóstico, pois uma baixa avidez pode persistir por meses, mas ainda assim, se for a primeira sorologia colhida, guia a conduta inicial de investigação.
A espiramicina é um macrolídeo que se concentra na placenta, agindo para prevenir a transmissão vertical do Toxoplasma gondii; ela não atravessa a barreira placentária de forma eficaz para tratar o feto. Já o esquema tríplice (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico) é indicado quando há confirmação ou suspeita de infecção fetal (PCR positivo no líquido amniótico ou alterações ultrassonográficas), pois essas drogas atravessam a placenta e tratam o feto diretamente.
A investigação padrão-ouro é a realização de amniocentese para coleta de líquido amniótico e realização de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) para detecção do DNA do Toxoplasma gondii. Este procedimento deve ser realizado preferencialmente após a 18ª semana de gestação, respeitando um intervalo de pelo menos 4 semanas após a provável data da infecção materna para evitar resultados falso-negativos.
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