Toxoplasmose na Gestação: Tratamento e Monitoramento Fetal

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2023

Enunciado

Acerca da toxoplasmose na gestação, assinale a alternativa correta. 

Alternativas

  1. A) Nos casos de infecção aguda no terceiro trimestre (acima de 32 semanas), não é preconizada a administração de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico sem a confirmação pré-natal da infecção fetal.
  2. B) A pirimetamina é agonista do ácido fólico, funcionando sinergicamente com a espiramicina no tratamento do feto contra taquizoítos de T. gondii.
  3. C) Durante o tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, deve-se solicitar ultrassonografia obstétrica com dopplervelocimetria da artéria cerebral média, devido à possibilidade de anemia fetal.
  4. D) Nos casos em que for confirmada a infecção fetal no primeiro trimestre, deve-se instituir imediatamente o tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico.
  5. E) O uso de espiramicina em idade gestacional abaixo de 18 semanas deve ser evitado, devido à teratogenicidade.

Pérola Clínica

Toxoplasmose fetal confirmada: Sulfadiazina + Pirimetamina + Ácido Folínico. Monitorar anemia fetal com Doppler ACM.

Resumo-Chave

Na toxoplasmose gestacional com infecção fetal confirmada, o tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico é essencial, exigindo monitoramento da anemia fetal com Doppler da artéria cerebral média devido aos efeitos mielossupressores da pirimetamina.

Contexto Educacional

A toxoplasmose na gestação é uma infecção causada pelo parasita *Toxoplasma gondii* que, quando transmitida ao feto, pode causar a toxoplasmose congênita, uma condição grave com sequelas neurológicas, oculares e sistêmicas. O risco de transmissão fetal e a gravidade da doença congênita variam com a idade gestacional no momento da infecção materna, sendo maior o risco de transmissão no terceiro trimestre, mas mais grave a doença se a infecção ocorrer no primeiro trimestre. O diagnóstico da infecção materna é feito por sorologia (IgM e IgG). Em caso de infecção aguda materna, a espiramicina é utilizada para reduzir o risco de transmissão vertical. Se a infecção fetal for confirmada (por amniocentese com PCR para *T. gondii*), o tratamento muda para a combinação de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. Esta combinação é mais eficaz contra o parasita no feto, mas a pirimetamina é um antagonista do ácido fólico e pode causar mielossupressão, levando à anemia e trombocitopenia. Devido aos efeitos adversos da pirimetamina, é crucial monitorar a saúde fetal durante o tratamento. A ultrassonografia obstétrica com dopplervelocimetria da artéria cerebral média (ACM) é uma ferramenta essencial para detectar anemia fetal. O aumento do pico de velocidade sistólica (PSV-ACM) indica anemia, que pode exigir transfusão intrauterina. O ácido folínico é administrado junto com a pirimetamina para mitigar a mielossupressão materna e fetal.

Perguntas Frequentes

Qual o tratamento para toxoplasmose na gestação com infecção fetal confirmada?

O tratamento padrão é a combinação de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, que atravessam a placenta e agem contra o parasita no feto, reduzindo a gravidade da toxoplasmose congênita.

Por que é importante monitorar a anemia fetal durante o tratamento da toxoplasmose?

A pirimetamina, um dos medicamentos utilizados, pode causar mielossupressão e, consequentemente, anemia fetal. O monitoramento é crucial para detectar e manejar precocemente essa complicação, que pode ser grave.

Como a ultrassonografia com Doppler da artéria cerebral média auxilia no manejo?

O Doppler da artéria cerebral média (ACM) é usado para avaliar o pico de velocidade sistólica (PSV-ACM), um indicador não invasivo de anemia fetal. Um PSV-ACM elevado sugere anemia e pode indicar a necessidade de intervenção, como transfusão intrauterina.

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