Toxoplasmose Gestacional: Diagnóstico e Manejo na Gravidez

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma gestante com início tardio de pré-natal e 26 semanas, no retorno em consulta, entre os exames solicitados, tinha sorologia de toxoplasmose com IgM positivo e IgG positivo. Considerando o resultado da sorologia e a idade gestacional, nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) É necessária a realização de teste de avidez da IgG para, assim, determinar se a infecção por toxoplasmose é aguda. 
  2. B) Deve-se iniciar espiramicina e realizar amniocentese com pesquisa de PCR para Toxoplasma gondii. 
  3. C) Deve-se iniciar espiramicina, não havendo necessidade de amniocentese ou pesquisa de PCR para Toxoplasma gondii. 
  4. D) Não se deve iniciar espiramicina, mas é necessário realizar amniocentese com pesquisa de PCR para Toxoplasma gondii, só iniciando a terapia após o resultado de PCR. 
  5. E) Deve-se iniciar tratamento com pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico.

Pérola Clínica

Toxoplasmose gestacional IgM+ IgG+ com 26 semanas → iniciar espiramicina e realizar amniocentese com PCR.

Resumo-Chave

Em gestante com IgM e IgG positivos, a infecção aguda é provável, especialmente se não há avidez de IgG alta. A espiramicina deve ser iniciada imediatamente para reduzir a transmissão vertical. A amniocentese com PCR é crucial para confirmar a infecção fetal e guiar a terapia específica.

Contexto Educacional

A toxoplasmose gestacional é uma infecção parasitária que, quando adquirida durante a gravidez, pode ter consequências graves para o feto, incluindo aborto, malformações congênitas e sequelas neurológicas ou oculares. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para minimizar os riscos. A sorologia é a principal ferramenta diagnóstica, e a interpretação de IgM positivo e IgG positivo em uma gestante, especialmente com início tardio de pré-natal, levanta forte suspeita de infecção aguda. Nesse cenário, a primeira etapa é tentar datar a infecção. Se disponível, o teste de avidez da IgG é fundamental: uma avidez baixa (<30%) indica infecção recente (geralmente nos últimos 3-4 meses), enquanto uma avidez alta (>60%) sugere infecção antiga. No entanto, mesmo sem o resultado da avidez, diante da suspeita de infecção aguda e idade gestacional de 26 semanas, a conduta inicial é iniciar a espiramicina. Este antibiótico atravessa a placenta e se concentra na placenta, reduzindo o risco de transmissão vertical para o feto. Para confirmar a infecção fetal, a amniocentese com pesquisa de PCR para Toxoplasma gondii no líquido amniótico é o exame de escolha. Deve ser realizada após a 18ª semana de gestação e, idealmente, pelo menos 4 semanas após a data provável da infecção materna para aumentar a sensibilidade do teste. Se o PCR for positivo, indica infecção fetal e o tratamento materno deve ser alterado para o esquema tríplice (pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico), que é mais eficaz no tratamento da infecção fetal estabelecida. A espiramicina é mantida até a confirmação ou exclusão da infecção fetal.

Perguntas Frequentes

Qual a interpretação de IgM positivo e IgG positivo para toxoplasmose em gestantes?

Essa combinação sugere uma infecção aguda recente ou reativação. Para confirmar a fase da infecção, o teste de avidez da IgG é fundamental: avidez baixa indica infecção recente (< 3-4 meses), enquanto avidez alta sugere infecção antiga (> 3-4 meses).

Quando e por que iniciar espiramicina em gestantes com suspeita de toxoplasmose aguda?

A espiramicina deve ser iniciada o mais rápido possível após a suspeita de infecção materna aguda (IgM+ e IgG+ com avidez baixa ou ausente), independentemente da idade gestacional. Seu objetivo é reduzir o risco de transmissão vertical para o feto.

Qual o papel da amniocentese com PCR para Toxoplasma gondii na gestação?

A amniocentese com PCR é o método mais preciso para diagnosticar a infecção fetal por Toxoplasma gondii. É indicada após a 18ª semana de gestação e 4 semanas após a soroconversão materna, para confirmar a infecção fetal e guiar a transição para o esquema tríplice (pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico) se o feto estiver infectado.

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