AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Gestante de 22 anos, G1P0, com 10 semanas de gestação, traz sorologia com IgG e IgM reagentes para Toxoplasma gondii. Ela está assintomática e sem alterações no exame físico. Não há exames prévios disponíveis. Assinale a alternativa que considera o diagnóstico mais provável e a conduta inicial, respectivamente, para essa paciente:
IgG+/IgM+ no 1º tri → Iniciar Espiramicina + Pedir Teste de Avidez (se < 16 sem).
Diante de sorologia sugestiva de infecção aguda no primeiro trimestre, a prioridade é iniciar a profilaxia da transmissão vertical com espiramicina e realizar o teste de avidez para datar a infecção.
A toxoplasmose gestacional é uma condição crítica devido ao risco de sequelas graves no feto, como coriorretinite, calcificações intracranianas e hidrocefalia. O diagnóstico sorológico inicial baseia-se na detecção de anticorpos IgM e IgG. Quando ambos são reagentes no primeiro trimestre, estamos diante de uma infecção de data indeterminada. A conduta imediata envolve o início da espiramicina para reduzir a taxa de transmissão placentária e a solicitação do teste de avidez de IgG (se a idade gestacional for inferior a 16 semanas). Se a avidez for alta, a infecção é antiga e o tratamento pode ser suspenso. Se for baixa ou se a gestante já estiver além do período de utilidade da avidez, a investigação prossegue com amniocentese para PCR do Toxoplasma gondii no líquido amniótico a partir da 18ª semana.
O teste de avidez mede a força de ligação entre o anticorpo IgG e o antígeno. Uma alta avidez (geralmente > 60%) em gestantes com menos de 16 semanas de idade gestacional exclui infecção adquirida durante a gestação, indicando que a infecção ocorreu há pelo menos 4 meses. Uma baixa avidez sugere infecção recente, mas não confirma, pois a avidez pode permanecer baixa por meses. Se realizado após 16 semanas, uma alta avidez não exclui infecção no início da gravidez.
A espiramicina é um macrolídeo que se concentra na placenta, mas não atravessa a barreira placentária de forma eficaz para tratar o feto. Seu objetivo principal é a profilaxia da transmissão vertical, reduzindo o risco de o parasita passar da mãe para o feto. Ela deve ser iniciada imediatamente após a suspeita de infecção aguda e mantida até que a infecção fetal seja confirmada ou descartada.
O esquema tríplice (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico) é indicado quando há confirmação de infecção fetal (via PCR do líquido amniótico positivo após 18 semanas) ou forte suspeita ultrassonográfica de acometimento fetal. Diferente da espiramicina, esses medicamentos atravessam a placenta e tratam o feto infectado. Vale lembrar que a pirimetamina é contraindicada no primeiro trimestre devido ao risco de teratogenia.
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