Toxoplasmose na Gestação: Conduta em IgG e IgM Reagentes

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Gestante de 22 anos, G1P0, com 10 semanas de gestação, traz sorologia com IgG e IgM reagentes para Toxoplasma gondii. Ela está assintomática e sem alterações no exame físico. Não há exames prévios disponíveis. Assinale a alternativa que considera o diagnóstico mais provável e a conduta inicial, respectivamente, para essa paciente:

Alternativas

  1. A) Infecção antiga: manter pré-natal habitual e repetir sorologia no terceiro trimestre.
  2. B) Sorologia falsa-positiva: solicitar PCR para toxoplasma no sangue materno e repetir IgM em 2 semanas.
  3. C) Infecção recente: indicar esquema triplo com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por 6 semanas.
  4. D) Infecção recente: iniciar espiramicina imediatamente e encaminhar para ultrassonografia morfológica precoce.
  5. E) Infecção de data indeterminada: solicitar teste de avidez da IgG e iniciar espiramicina enquanto aguarda resultado.

Pérola Clínica

IgG+/IgM+ no 1º tri → Iniciar Espiramicina + Pedir Teste de Avidez (se < 16 sem).

Resumo-Chave

Diante de sorologia sugestiva de infecção aguda no primeiro trimestre, a prioridade é iniciar a profilaxia da transmissão vertical com espiramicina e realizar o teste de avidez para datar a infecção.

Contexto Educacional

A toxoplasmose gestacional é uma condição crítica devido ao risco de sequelas graves no feto, como coriorretinite, calcificações intracranianas e hidrocefalia. O diagnóstico sorológico inicial baseia-se na detecção de anticorpos IgM e IgG. Quando ambos são reagentes no primeiro trimestre, estamos diante de uma infecção de data indeterminada. A conduta imediata envolve o início da espiramicina para reduzir a taxa de transmissão placentária e a solicitação do teste de avidez de IgG (se a idade gestacional for inferior a 16 semanas). Se a avidez for alta, a infecção é antiga e o tratamento pode ser suspenso. Se for baixa ou se a gestante já estiver além do período de utilidade da avidez, a investigação prossegue com amniocentese para PCR do Toxoplasma gondii no líquido amniótico a partir da 18ª semana.

Perguntas Frequentes

Como interpretar o teste de avidez da IgG na toxoplasmose?

O teste de avidez mede a força de ligação entre o anticorpo IgG e o antígeno. Uma alta avidez (geralmente > 60%) em gestantes com menos de 16 semanas de idade gestacional exclui infecção adquirida durante a gestação, indicando que a infecção ocorreu há pelo menos 4 meses. Uma baixa avidez sugere infecção recente, mas não confirma, pois a avidez pode permanecer baixa por meses. Se realizado após 16 semanas, uma alta avidez não exclui infecção no início da gravidez.

Qual a função da espiramicina no tratamento gestacional?

A espiramicina é um macrolídeo que se concentra na placenta, mas não atravessa a barreira placentária de forma eficaz para tratar o feto. Seu objetivo principal é a profilaxia da transmissão vertical, reduzindo o risco de o parasita passar da mãe para o feto. Ela deve ser iniciada imediatamente após a suspeita de infecção aguda e mantida até que a infecção fetal seja confirmada ou descartada.

Quando substituir a espiramicina pelo esquema tríplice?

O esquema tríplice (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico) é indicado quando há confirmação de infecção fetal (via PCR do líquido amniótico positivo após 18 semanas) ou forte suspeita ultrassonográfica de acometimento fetal. Diferente da espiramicina, esses medicamentos atravessam a placenta e tratam o feto infectado. Vale lembrar que a pirimetamina é contraindicada no primeiro trimestre devido ao risco de teratogenia.

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