Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
P.A.S., 22 anos, primigesta, IMC 23kg/m2, sem comorbidades, idade gestacional de 12 semanas por ultrassom precoce, veio à segunda consulta de pré-natal com resultados de exames laboratoriais. Dentre os resultados, encontrou-se glicemia de jejum de 92 mg/dL e toxoplasmose IgG e IgM positivos.De acordo com o caso apresentado, levando-se em consideração a sorologia para Toxoplasmose (IgG e IgM positivos) e o resultado do teste de avidez para IgG de 95%, assinale a alternativa correta.
IgG+/IgM+ com alta avidez (<16 sem) = Infecção pré-concepcional.
Um teste de alta avidez realizado no primeiro trimestre (até 16 semanas) exclui infecção aguda durante a gestação, indicando imunidade adquirida há pelo menos 4 meses.
A toxoplasmose congênita pode causar sequelas graves, como coriorretinite, calcificações intracranianas e hidrocefalia. No entanto, o risco de transmissão vertical e a gravidade das lesões dependem da idade gestacional em que ocorre a infecção materna. O diagnóstico laboratorial baseia-se na triagem sorológica com IgG e IgM em todas as gestantes susceptíveis. O teste de avidez de IgG é a ferramenta diagnóstica crucial para datar a infecção quando o IgM é reagente no primeiro trimestre. Se a avidez for alta (>60%), a infecção é antiga e o feto está protegido pelos anticorpos maternos. Se for baixa, a infecção pode ser recente, exigindo intervenção farmacológica imediata e investigação de infecção fetal. Este manejo preciso evita tratamentos desnecessários com drogas potencialmente tóxicas e reduz a ansiedade materna.
A avidez de IgG mede a força de ligação entre o anticorpo e o antígeno. No início da infecção, a avidez é baixa. Com o tempo (maturação da resposta imune), ela aumenta. Uma alta avidez (geralmente >60%) detectada antes de 16 semanas de gestação indica que a infecção ocorreu há pelo menos 12 a 16 semanas, ou seja, antes da concepção, o que tranquiliza quanto ao risco de transmissão vertical, pois a paciente já era imune antes de engravidar.
O IgM positivo isoladamente não confirma infecção aguda, pois pode ser um 'IgM residual' (que persiste por meses ou anos) ou um falso-positivo. Ele é preocupante quando acompanhado de soroconversão (IgG que era negativo e torna-se positivo) ou quando a avidez de IgG é baixa em exames realizados no início da gravidez, sugerindo infecção recente que pode atravessar a placenta e infectar o feto.
Se a avidez for baixa em uma gestante com menos de 16 semanas, há suspeita de infecção aguda recente. A conduta inicial é iniciar Espiramicina para reduzir o risco de transmissão placentária e realizar o acompanhamento fetal com ultrassonografia morfológica e, eventualmente, amniocentese (após 18 semanas) para pesquisa de DNA do Toxoplasma gondii por PCR no líquido amniótico para confirmar ou excluir infecção fetal.
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