Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2015
MAF, primigesta, iniciou pré-natal tardiamente e só realizou as sorologias na 32ª semana de gestação. Resultado para Toxoplasmose foi IgM e IgG positivos. Teste de avidez de IgG com resultado de 15%. Qual a melhor conduta para essa fase da gestação?
Toxoplasmose gestacional com infecção recente (IgM+, IgG+, avidez baixa) na 32ª sem → tratamento fetal com Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico.
Um teste de avidez de IgG de 15% em uma gestante com IgM e IgG positivos na 32ª semana indica uma infecção recente (adquirida há menos de 12-16 semanas), o que aumenta o risco de transmissão congênita. Nesta fase da gestação, o tratamento com Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico é indicado para tratar a infecção fetal e reduzir a gravidade das sequelas.
A toxoplasmose gestacional é uma infecção parasitária causada pelo Toxoplasma gondii que, quando adquirida durante a gravidez, pode ser transmitida ao feto, resultando em toxoplasmose congênita. A gravidade e o tipo das sequelas fetais variam conforme o trimestre da infecção, sendo mais grave no primeiro trimestre (menor taxa de transmissão, mas maior gravidade) e menos grave no terceiro trimestre (maior taxa de transmissão, mas menor gravidade). O diagnóstico da infecção materna recente é crucial e baseia-se na sorologia. IgM positivo e IgG positivo, com um teste de avidez de IgG baixo (geralmente <30%), indicam infecção adquirida há menos de 12-16 semanas. Se a infecção é recente e ocorre em gestação avançada (como na 32ª semana), o risco de transmissão fetal é alto. A amniocentese pode ser considerada para confirmar a infecção fetal, mas a conduta terapêutica muitas vezes é iniciada com base na alta probabilidade clínica e sorológica. A conduta terapêutica para toxoplasmose gestacional depende do momento da infecção e da confirmação ou suspeita de infecção fetal. Se a infecção materna é recente e há suspeita ou confirmação de infecção fetal (como indicado pela avidez baixa em gestação avançada), o tratamento visa tratar o feto. O esquema de escolha é a combinação de Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico, que atravessam a placenta e agem diretamente no parasita. A Espiramicina é utilizada para prevenir a transmissão quando a infecção materna é recente, mas a infecção fetal não foi confirmada.
Um teste de avidez de IgG baixo (geralmente <30%) indica que a infecção por toxoplasmose é recente, provavelmente adquirida nos últimos 3-4 meses, o que aumenta o risco de transmissão congênita ao feto, especialmente se a infecção ocorreu no segundo ou terceiro trimestre.
A Espiramicina é usada para prevenir a transmissão materno-fetal quando a infecção materna é recente, mas a infecção fetal ainda não foi confirmada. O esquema com Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico é indicado quando há evidência de infecção fetal ou alto risco de transmissão, visando tratar o feto já infectado e reduzir as sequelas.
As complicações podem incluir hidrocefalia, calcificações intracranianas, coriorretinite, microcefalia, convulsões, atraso no desenvolvimento psicomotor e surdez, com gravidade variável dependendo do trimestre da infecção e da resposta ao tratamento.
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