Toxoplasmose e Gravidez: Transmissão e Riscos Fetais

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007

Enunciado

Sobre a toxoplasmose e gravidez, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) A taxa de infecção fetal é maior no primeiro trimestre e é neste momento que a infecção é mais prejudicial ao feto
  2. B) A reagudização da doença, mesmo em gestantes imunocompetentes, aumenta o risco da transmissão fetal com taxas ligeiramente menores que na primoinfecção
  3. C) A transmissão transplacentária do parasito (trofozoíta) dá origem à forma congênita
  4. D) Não é importante a identificação de gestantes soronegativas, pois o tratamento da mãe não diminui a taxa de transmissão fetal

Pérola Clínica

Transmissão fetal ↑ com idade gestacional; gravidade da lesão ↑ no 1º trimestre.

Resumo-Chave

A transmissão vertical ocorre pela passagem transplacentária de taquizoítos. Embora a taxa de transmissão seja menor no início da gravidez, as sequelas fetais são significativamente mais graves nesse período.

Contexto Educacional

A toxoplasmose na gestação é uma preocupação central no pré-natal devido ao potencial teratogênico e sequelas a longo prazo, como a coriorretinite e o atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. A fisiopatologia baseia-se na disseminação hematogênica de taquizoítos após a ingestão de oocistos (solo/água) ou cistos (carne crua). O manejo clínico exige distinção clara entre infecção crônica (imunidade) e aguda. O uso de testes de avidez de IgG é crucial antes de 16 semanas para datar a infecção. O tratamento visa reduzir a carga parasitária placentária e tratar o feto, sendo uma das intervenções de saúde pública mais eficazes na redução da morbidade congênita.

Perguntas Frequentes

Como ocorre a transmissão da toxoplasmose para o feto?

A transmissão ocorre por via transplacentária, especificamente através da forma de taquizoítos (ou trofozoítas) do parasita Toxoplasma gondii. Isso geralmente acontece durante uma primoinfecção materna durante a gestação, onde a parasitemia permite que o microrganismo atravesse a barreira placentária e infecte os tecidos fetais, podendo causar danos neurológicos e oftalmológicos graves.

Qual a relação entre idade gestacional e risco de transmissão?

Existe uma relação inversamente proporcional entre o risco de transmissão e a gravidade da doença. No primeiro trimestre, a barreira placentária é mais eficaz, resultando em menores taxas de transmissão (cerca de 10-15%), porém, se ocorrer, as sequelas são severas. No terceiro trimestre, a transmissão é muito mais frequente (até 60-70%), mas a maioria dos recém-nascidos é assintomática ao nascimento.

Por que o rastreio em gestantes soronegativas é fundamental?

Gestantes soronegativas são suscetíveis à primoinfecção. O monitoramento sorológico mensal ou trimestral permite a detecção precoce de uma conversão. O tratamento imediato com espiramicina reduz significativamente a taxa de transmissão vertical, enquanto a associação com pirimetamina e sulfadiazina é indicada se a infecção fetal for confirmada para tratar o feto in utero.

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