Toxoplasmose na Gestação: Conduta com Amniocentese Negativa

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente, G2PN1A0, IG:26 semanas, realizou a 1ª sorologia para Toxoplasmose tardiamente, com resultado IgG e IgM POSITIVOS, tendo sido prescrita Espiramicina. Foi encaminhada para realização de amniocentese, com resultado NEGATIVO para pesquisa de infecção fetal. Qual a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Suspender o uso da Espiramicina
  2. B) Realizar teste de avidez de IgG
  3. C) Iniciar Pirimetamina, Sulfadiazina e Ácido Folínico
  4. D) Manter o uso da Espiramicina até o parto

Pérola Clínica

Toxoplasmose gestacional IgG/IgM+, amniocentese negativa → Manter Espiramicina para profilaxia da transmissão vertical.

Resumo-Chave

Em gestantes com sorologia positiva para toxoplasmose (IgG e IgM) e amniocentese negativa para infecção fetal, a Espiramicina deve ser mantida. Ela atua profilaticamente, reduzindo o risco de transmissão vertical da mãe para o feto, mesmo que a infecção fetal ainda não tenha ocorrido ou sido detectada.

Contexto Educacional

A toxoplasmose na gestação é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão congênita e suas graves consequências para o feto. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais. A sorologia materna é o primeiro passo, e a presença de IgG e IgM positivos em uma gestante, especialmente se a primeira sorologia foi tardia, sugere uma infecção aguda ou recente, demandando atenção. A Espiramicina é a droga de escolha para a profilaxia da transmissão vertical, sendo iniciada assim que a infecção materna é suspeita ou confirmada. Sua função é impedir que o parasita atinja o feto. A amniocentese, por sua vez, é um procedimento diagnóstico invasivo que busca confirmar a presença do parasita no líquido amniótico, indicando infecção fetal. Um resultado negativo na amniocentese significa que, até aquele momento, não há evidência de infecção fetal, mas não exclui a possibilidade de transmissão futura. Nesse cenário, a manutenção da Espiramicina é fundamental, pois a mãe ainda está em risco de transmitir a infecção. O tratamento com Pirimetamina, Sulfadiazina e Ácido Folínico é reservado para casos de infecção fetal confirmada, pois essas drogas têm maior toxicidade e são mais eficazes no tratamento da infecção já estabelecida no feto. O acompanhamento ultrassonográfico também é importante para monitorar sinais de infecção fetal, como ventriculomegalia ou calcificações intracranianas.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da Espiramicina na toxoplasmose gestacional?

A Espiramicina é utilizada para profilaxia da transmissão vertical da toxoplasmose da mãe para o feto. Ela não trata a infecção fetal já estabelecida, mas reduz significativamente o risco de o parasita atravessar a barreira placentária.

Quando é indicada a amniocentese para toxoplasmose na gestação?

A amniocentese é indicada para pesquisa de infecção fetal por Toxoplasma gondii quando há evidência de infecção materna aguda ou recente, geralmente confirmada por sorologia (IgM positivo ou soroconversão de IgG) e para avaliar a presença do parasita no líquido amniótico.

Qual a conduta se a amniocentese for positiva para toxoplasmose fetal?

Se a amniocentese for positiva, indicando infecção fetal, o tratamento deve ser alterado para um esquema tríplice com Pirimetamina, Sulfadiazina e Ácido Folínico, que tem maior capacidade de atravessar a placenta e tratar o feto infectado.

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