Toxoplasmose na Gestação: Conduta e Tratamento Inicial

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2023

Enunciado

G3P2, 24 anos de idade, com 9 semanas de gestação, chega na consulta de retorno de pré natal, com os seguintes resultados sorológicos para toxoplasmose: elisa-IGM = 150mui (cut-off=0,5mui), elisa-iGG=230mui (cut-off= 0,9mui). Qual seria a conduta?

Alternativas

  1. A) Solicitar o teste de avidez de IGG para toxoplasmose e iniciar tratamento materno imediato com clindamicina e sulfa.
  2. B) Fazer a cordocentese ou a amniocentese para a pesquisa de DNA do toxoplasma gondii.
  3. C) Solicitar o teste de avidez de IGG para toxoplasmose e iniciar o tratamento da infecção fetal com sulfa e pirimetamina.
  4. D) Solicitar o teste de avidez de IGG para toxoplasmose e iniciar imediatamente espiramicina.
  5. E) Solicitar o teste de avidez de IGG para toxoplasmose e aguardar o resultado.

Pérola Clínica

Toxoplasmose na gestação com IGM e IGG positivos → solicitar avidez de IGG e iniciar espiramicina imediatamente.

Resumo-Chave

Diante de sorologia positiva para toxoplasmose (IGM e IGG) em gestante, a conduta inicial é solicitar o teste de avidez de IGG para determinar se a infecção é recente ou antiga. Contudo, o tratamento com espiramicina deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar o resultado da avidez, para reduzir o risco de transmissão vertical, caso a infecção seja aguda.

Contexto Educacional

A toxoplasmose é uma infecção parasitária causada pelo Toxoplasma gondii, que pode ser assintomática na maioria dos adultos imunocompetentes, mas representa um risco significativo quando adquirida durante a gestação. A infecção congênita pode levar a sequelas graves no feto, como coriorretinite, hidrocefalia e calcificações intracranianas. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para minimizar esses riscos. O diagnóstico da toxoplasmose na gestação baseia-se na sorologia. A presença de IGM e IGG positivos simultaneamente indica uma infecção recente ou reativação. Nesses casos, o teste de avidez de IGG é fundamental para datar a infecção: baixa avidez sugere infecção aguda (nos últimos 3-4 meses), enquanto alta avidez indica infecção antiga. No entanto, devido ao risco potencial de transmissão vertical e à janela de tempo para a avidez se elevar, a conduta é iniciar o tratamento empírico com espiramicina imediatamente após a detecção de IGM e IGG positivos, sem aguardar o resultado da avidez. A espiramicina é um antibiótico que atravessa a placenta e se acumula nela, reduzindo a chance de o parasita atingir o feto. Se o teste de avidez de IGG confirmar uma infecção aguda e houver suspeita de infecção fetal (por exemplo, por ultrassonografia ou após amniocentese positiva para DNA do parasita), o tratamento é alterado para pirimetamina e sulfadiazina, que são mais eficazes no tratamento da infecção fetal já estabelecida. Residentes devem estar cientes da urgência em iniciar a espiramicina para otimizar os desfechos.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do teste de avidez de IGG para toxoplasmose na gestação?

O teste de avidez de IGG ajuda a diferenciar uma infecção recente (baixa avidez, ocorrida nos últimos 3-4 meses) de uma infecção antiga (alta avidez, ocorrida há mais de 4 meses). Isso é crucial para determinar o risco de transmissão fetal.

Por que a espiramicina é o tratamento inicial para toxoplasmose aguda na gestação?

A espiramicina é um macrolídeo que se concentra na placenta, reduzindo a taxa de transmissão do Toxoplasma gondii para o feto. É a droga de escolha para o tratamento materno inicial, antes da confirmação da infecção fetal.

Quando se indica a cordocentese ou amniocentese para pesquisa de DNA do Toxoplasma gondii?

Esses procedimentos invasivos são indicados quando há suspeita de infecção fetal (após confirmação de infecção materna aguda e baixa avidez de IGG) para diagnosticar a infecção congênita e guiar a mudança do esquema terapêutico para pirimetamina e sulfadiazina, se o feto estiver infectado.

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