CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2011
Assinale a alternativa correta em relação ao mecanismo de ação dos fármacos utilizados no tratamento da toxoplasmose:
Espiramicina = inibição ribossomal (50S) + droga de escolha na gestação sem infecção fetal.
A espiramicina é um macrolide que inibe a síntese proteica bacteriana/parasitária. É usada na gestação para prevenir a transmissão placentária do Toxoplasma gondii.
O tratamento da toxoplasmose baseia-se na interrupção do metabolismo do parasito. Na gestante, a conduta depende da confirmação da infecção fetal. A espiramicina, por ser um macrolídeo, foca na inibição ribossomal e é segura durante todo o período gravídico para profilaxia da transmissão. Se a infecção fetal for confirmada via PCR do líquido amniótico ou ultrassonografia sugestiva após a 18ª semana, substitui-se a espiramicina pelo esquema tríplice (pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico), que atravessa a placenta e trata o feto. É fundamental lembrar que a pirimetamina é potencialmente teratogênica no primeiro trimestre, devendo ser evitada nesse período.
A espiramicina é um antibiótico da classe dos macrolídeos que atua ligando-se à subunidade 50S do ribossomo do parasito, impedindo a síntese proteica. Na gestação, ela é a droga de escolha quando há suspeita ou confirmação de infecção aguda materna, mas sem evidência de infecção fetal (amniocentese negativa ou antes da realização desta). Sua principal função é reduzir a taxa de transmissão transplacentária do Toxoplasma gondii em cerca de 60%. Como não atravessa a barreira placentária de forma eficiente em concentrações terapêuticas para o feto, não é eficaz para tratar o feto já infectado.
A combinação de pirimetamina e sulfadiazina promove um bloqueio sequencial da síntese de ácido fólico, essencial para a replicação do DNA do parasito. A sulfadiazina (uma sulfonamida) atua como um análogo estrutural e antagonista competitivo do ácido para-aminobenzoico (PABA), inibindo a diidropteroato sintetase. A pirimetamina inibe a enzima diidrofolato redutase. Como o Toxoplasma não consegue absorver folato exógeno, essa interrupção é letal. Em humanos, utiliza-se o ácido folínico (leucovorin) concomitantemente para prevenir a toxicidade medular, pois nossas células conseguem utilizar o folato pré-formado.
A clindamicina é frequentemente utilizada como alternativa em pacientes alérgicos a sulfonamidas (especialmente em casos de toxoplasmose ocular ou cerebral). O efeito colateral mais comum e preocupante é a toxicidade gastrointestinal, variando de náuseas e vômitos até a colite pseudomembranosa causada pelo supercrescimento de Clostridioides difficile. Reações cutâneas como exantema morbiliforme são comuns, mas o eritema pigmentado fixo não é o efeito colateral mais frequente ou característico desta droga no contexto do tratamento antiparasitário.
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