IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2022
Uma paciente de 27 anos, na 3' gestação, com 2 partos vaginais anteriores, inicia o pré-natal em uma unidade de saúde de Curitiba. Faltou 2 vezes à coleta de exames laboratoriais de 1° trimestre e vem com resultados de exames de rotina. A coleta dos exames foi realizada, há 1 semana, com 18 semanas de idade gestacional. Apresentou sorologia para toxoplasmose reagente (IgM e IgG) e avidez forte para IgG. Para essa paciente, a melhor conduta, segundo o protocolo Mãe Curitibana, é:
Toxoplasmose gestacional com IgM/IgG reagentes e alta avidez IgG >16 semanas → infecção pré-concepcional, sem tratamento específico.
A presença de IgM e IgG reagentes com alta avidez para IgG em gestantes, especialmente se a coleta for após 16 semanas de gestação, sugere infecção pré-concepcional. Nesses casos, o risco de transmissão congênita é mínimo e geralmente não há indicação de tratamento específico para a toxoplasmose ativa na gestação, mas sim acompanhamento.
A toxoplasmose é uma infecção parasitária que, quando adquirida durante a gestação, pode ter consequências graves para o feto, caracterizando a toxoplasmose congênita. A prevalência varia geograficamente, e o diagnóstico precoce e a conduta adequada são fundamentais para minimizar riscos. O pré-natal é a principal ferramenta para rastreamento e manejo dessa condição, sendo crucial a interpretação correta dos exames sorológicos. O diagnóstico da toxoplasmose gestacional baseia-se na sorologia materna, com a pesquisa de anticorpos IgM e IgG. A presença de IgM e IgG reagentes requer a realização do teste de avidez de IgG, especialmente se a gestante estiver no segundo ou terceiro trimestre. A avidez de IgG é um marcador temporal da infecção: alta avidez (>30%) indica infecção adquirida há mais de 12-16 semanas, geralmente antes da concepção, enquanto baixa avidez (<30%) sugere infecção recente. A conduta terapêutica depende do momento da infecção e da confirmação de infecção fetal. Em casos de infecção materna aguda sem infecção fetal confirmada, a espiramicina é utilizada para reduzir o risco de transmissão. Se houver infecção fetal confirmada ou alta suspeita de infecção materna aguda após o primeiro trimestre, o esquema tríplice (pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico) é indicado para tratar o feto e reduzir a gravidade da doença congênita. A interpretação cuidadosa dos exames evita tratamentos desnecessários e seus potenciais efeitos adversos.
IgM e IgG reagentes indicam contato com o parasita. A interpretação depende da avidez de IgG e da idade gestacional. Alta avidez de IgG após 16 semanas sugere infecção pré-concepcional, enquanto baixa avidez pode indicar infecção recente.
A avidez de IgG ajuda a datar a infecção. Alta avidez (>30%) geralmente exclui infecção recente (nos últimos 3-4 meses), sendo crucial para diferenciar infecção pré-concepcional de infecção aguda durante a gravidez e evitar tratamentos desnecessários.
O esquema tríplice é indicado quando há confirmação ou alta suspeita de infecção fetal ou infecção materna aguda após o primeiro trimestre, visando reduzir a gravidade da toxoplasmose congênita. A espiramicina é usada para prevenir a transmissão materno-fetal em infecções maternas agudas sem infecção fetal confirmada.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo