HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2025
Gestante, 28 anos, G3P2 com 10 semanas de gestação, chega para consulta de retorno de pré-natal com os seguintes resultados sorológicos para toxoplasmose: IgM = positivo e IgG = positivo. Qual seria sua conduta?
Gestante IgM+ IgG+ → Avidez IgG + Espiramicina. Avidez baixa = infecção recente, alto risco fetal.
Em gestantes com sorologia IgM e IgG positivas para toxoplasmose, é fundamental determinar se a infecção é recente ou antiga para avaliar o risco de transmissão vertical. O teste de avidez de IgG é o método para datar a infecção. Enquanto se aguarda o resultado, a espiramicina deve ser iniciada para reduzir a parasitemia materna e, consequentemente, o risco de transmissão para o feto.
A toxoplasmose na gestação representa um desafio diagnóstico e terapêutico devido ao risco de transmissão vertical e suas consequências graves para o feto, incluindo aborto, prematuridade e malformações congênitas. A interpretação da sorologia é fundamental: IgM positivo e IgG positivo podem indicar tanto uma infecção aguda recente quanto uma infecção antiga com IgM persistente, o que ocorre em até 20% dos casos. Nesse cenário, o teste de avidez de IgG é a ferramenta diagnóstica mais importante para datar a infecção. Uma alta avidez de IgG (>60%) indica que a infecção ocorreu há mais de 4 meses, antes da concepção, e o risco de transmissão fetal é mínimo. Já uma baixa avidez de IgG (<30%) sugere uma infecção recente, nos últimos 3-4 meses, implicando um risco significativo de transmissão vertical. A conduta inicial, enquanto se aguarda o resultado da avidez, é iniciar a espiramicina. Este antibiótico tem como objetivo reduzir a parasitemia materna e, consequentemente, diminuir a chance de o parasita atravessar a placenta e infectar o feto. A espiramicina não trata a infecção fetal já estabelecida. Se a avidez for baixa, confirmando infecção recente, e houver evidência de infecção fetal (por amniocentese ou ultrassonografia), o tratamento muda para sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico.
Essa combinação sorológica pode indicar tanto uma infecção recente (aguda) quanto uma infecção antiga com persistência de IgM. É crucial diferenciar para avaliar o risco de transmissão vertical ao feto.
O teste de avidez de IgG ajuda a datar a infecção. Uma alta avidez (>60%) geralmente indica uma infecção ocorrida há mais de 4 meses, com baixo risco fetal. Uma baixa avidez (<30%) sugere infecção recente, nos últimos 3-4 meses, com maior risco.
A espiramicina é um macrolídeo que atravessa a placenta em baixa concentração e atua reduzindo a parasitemia materna, diminuindo assim o risco de transmissão do Toxoplasma gondii para o feto, sem tratar a infecção fetal já estabelecida.
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