HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2023
Gestante, 23 anos, com 12 semanas de gestação, apresenta exame de toxoplasmose com IgM e IgG positivos. Qual a melhor conduta?
Gestante IgM+ IgG+ → Toxoplasmose aguda. Iniciar espiramicina imediatamente, independente da avidez.
Em gestantes com IgM e IgG positivos para toxoplasmose, a suspeita é de infecção aguda. Nesses casos, o tratamento com espiramicina deve ser iniciado imediatamente para reduzir o risco de transmissão vertical, mesmo antes do resultado do teste de avidez, que serve para datar a infecção.
A toxoplasmose na gestação é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão vertical e suas potenciais consequências graves para o feto, incluindo malformações congênitas e sequelas neurológicas. O diagnóstico de infecção materna aguda é crucial e frequentemente baseado na sorologia. Quando uma gestante apresenta IgM e IgG positivos, há uma forte suspeita de infecção aguda ou recente, embora o IgM possa persistir por meses após a infecção. Nesse cenário de IgM e IgG positivos, a conduta inicial é de urgência. O tratamento com espiramicina deve ser iniciado imediatamente, independentemente do resultado do teste de avidez de IgG. A espiramicina tem como principal objetivo reduzir o risco de transmissão do parasita da mãe para o feto, concentrando-se na placenta. Não é contraindicada no primeiro trimestre e seu uso precoce é fundamental para a profilaxia da toxoplasmose congênita. O teste de avidez de IgG é um exame complementar importante para datar a infecção. Uma alta avidez de IgG (>30%) sugere que a infecção ocorreu há mais de 4 meses, indicando uma infecção crônica e baixo risco de transmissão fetal. Uma baixa avidez (<30%) sugere infecção recente (menos de 4 meses). Contudo, aguardar o resultado da avidez pode atrasar o início da espiramicina, o que é prejudicial. Após o início da espiramicina, a investigação da infecção fetal pode ser realizada por amniocentese (PCR para Toxoplasma no líquido amniótico), geralmente após 18 semanas de gestação e 4 semanas após a soroconversão materna, para determinar se o feto foi infectado e, em caso positivo, considerar a troca do esquema terapêutico para pirimetamina e sulfadiazina.
O teste de avidez de IgG ajuda a datar a infecção. Uma alta avidez sugere infecção antiga (mais de 4 meses), enquanto uma baixa avidez sugere infecção recente (menos de 4 meses). É útil para diferenciar infecções agudas de crônicas quando apenas o IgG é positivo ou para confirmar infecção recente em casos de IgM positivo persistente.
A espiramicina é um macrolídeo que atravessa mal a placenta, mas atinge altas concentrações na placenta, reduzindo o risco de transmissão do parasita para o feto. É a droga de escolha para profilaxia da transmissão vertical em gestantes com infecção aguda confirmada ou suspeita, antes da confirmação de infecção fetal.
A amniocentese é indicada para pesquisa de DNA de Toxoplasma gondii no líquido amniótico quando há confirmação de infecção materna aguda e suspeita de transmissão fetal, geralmente após 18 semanas de gestação e 4 semanas após a soroconversão materna, para avaliar o acometimento fetal e guiar a conduta terapêutica.
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