MedEvo Simulado — Prova 2026
Renata, 24 anos, primigesta, está em sua segunda consulta de pré-natal com 22 semanas de gestação. Ela apresenta exames de rotina do primeiro trimestre, realizados com 10 semanas, que mostravam IgG não reagente e IgM não reagente para toxoplasmose. No entanto, os exames repetidos agora, com 22 semanas, revelam IgG reagente (títulos elevados) e IgM reagente. A paciente nega sintomas como febre, mialgia ou linfonodomegalia no período intervalar. Diante do quadro de soroconversão materna em paciente assintomática no segundo trimestre, a conduta mais adequada é:
Soroconversão >16 sem → Iniciar Espiramicina + Amniocentese (PCR) imediatamente.
Após 16 semanas, o teste de avidez perde utilidade diagnóstica. A conduta imediata perante soroconversão é prevenir a transmissão com espiramicina e investigar infecção fetal via PCR.
A toxoplasmose na gestação exige diagnóstico rápido para minimizar sequelas fetais. A probabilidade de transmissão vertical aumenta com a idade gestacional, embora a gravidade da doença fetal seja maior quando a infecção ocorre no primeiro trimestre. No segundo trimestre, a soroconversão (IgG e IgM negativos que se tornam positivos) confirma infecção aguda. O manejo clínico baseia-se em dois pilares: reduzir a transmissão placentária com espiramicina e diagnosticar a infecção fetal. A amniocentese com PCR substituiu a cordocentese por ser menos invasiva e apresentar excelente acurácia diagnóstica. O acompanhamento ultrassonográfico mensal é mandatório para monitorar sinais de comprometimento fetal, como calcificações intracranianas ou hidrocefalia.
O teste de avidez de IgG é clinicamente útil apenas se realizado no primeiro trimestre (até 16 semanas). Uma avidez alta antes de 16 semanas exclui infecção adquirida durante a gestação, indicando infecção pré-concepcional. Após esse período, uma avidez alta não ajuda a datar a infecção com precisão, pois a maturação dos anticorpos pode variar entre indivíduos. Em caso de soroconversão documentada no segundo trimestre, a infecção é obrigatoriamente aguda e recente, tornando o teste de avidez desnecessário e protelatório para o início do tratamento profilático.
A espiramicina é um macrolídeo que se concentra na placenta, criando uma barreira que visa reduzir a taxa de transmissão vertical do Toxoplasma gondii em cerca de 50%. Ela não atravessa a barreira placentária em concentrações terapêuticas suficientes para tratar o feto já infectado. Portanto, é a droga de escolha inicial enquanto se aguarda a confirmação de infecção fetal. Se a infecção fetal for confirmada via PCR do líquido amniótico ou se houver alterações ultrassonográficas sugestivas, o tratamento deve ser alterado para o esquema tríplice (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico).
A amniocentese para pesquisa de DNA do parasita por PCR deve ser realizada preferencialmente a partir de 18 semanas de gestação e pelo menos 4 semanas após a suspeita da infecção materna (soroconversão). Realizar o procedimento antes desse período aumenta o risco de resultados falso-negativos, pois o volume de líquido amniótico e a carga parasitária podem ser insuficientes para detecção. Atualmente, a PCR no líquido amniótico é o padrão-ouro para o diagnóstico de infecção fetal devido à sua alta sensibilidade e especificidade.
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