SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Primigesta, 23 anos de idade, iniciou acompanhamento pré-natal com 10 semanas de gestação. Na primeira consulta, realizou exames, apresentou IgM e IgG posi tivos para toxoplasmose. Foram realizados IgA para toxoplasmose com resultado negativo e teste de avidez de IgG de 70%. Não recebeu medicação e repetiu os exames no último trimestre de gestação com resultados semelhantes. Ao nascimento, por parto normal, com 38 semanas de gestação, o recémnascido do sexo masculino, peso = 2.980 g, comprimento = 48 cm, apgar 9/10. De acordo com os dados apresentados, tem indicação de:
Avidez IgG alta (<16 sem) exclui infecção aguda na gestação atual e risco de transmissão vertical.
A alta avidez de IgG no primeiro trimestre indica infecção adquirida há pelo menos 3-4 meses, garantindo imunidade materna prévia e eliminando o risco de toxoplasmose congênita aguda.
A toxoplasmose é uma das principais infecções do grupo TORCH. O diagnóstico materno baseia-se na sorologia; a presença de IgM positivo exige a realização do teste de avidez se a idade gestacional for inferior a 16 semanas. A avidez mede a força de ligação entre o anticorpo IgG e o antígeno; com o tempo, essa ligação torna-se mais forte. Portanto, alta avidez precoce confirma infecção crônica. No manejo do recém-nascido, a ausência de sinais clínicos e sorologia IgM negativa em filhos de mães com imunidade prévia confirmada permite a alta hospitalar com orientações. No entanto, se houver qualquer dúvida diagnóstica ou se a infecção materna ocorreu durante a gestação, o tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico deve ser instituído precocemente para prevenir sequelas neurológicas e visuais.
Um teste de avidez de IgG alto (geralmente >60%) realizado antes de 12 a 16 semanas de gestação indica que a infecção por Toxoplasma gondii ocorreu há pelo menos 3 a 4 meses. Isso significa que a gestante já possuía imunidade antes da concepção, o que virtualmente exclui o risco de transmissão vertical e infecção congênita para o feto na gestação atual.
Embora o risco seja desprezível com avidez alta no início da gestação, protocolos de vigilância recomendam a triagem mínima do recém-nascido (sorologia IgM/IgG e avaliação clínica) para documentar a ausência de infecção, especialmente se houve persistência de IgM materno positivo, garantindo segurança jurídica e clínica no seguimento pediátrico.
A avaliação inicial inclui sorologias (IgM, IgG e, se possível, IgA), exame físico completo, avaliação oftalmológica (fundo de olho para busca de coriorretinite) e neuroimagem (ultrassonografia transfontanela para busca de calcificações ou hidrocefalia). Em casos confirmados, a análise do líquido cefalorraquidiano também é indicada.
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