Toxoplasmose Congênita: Critérios para Início Imediato do Tratamento

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2023

Enunciado

A toxoplasmose congênita é uma zoonose desencadeada pelo protozoário T. gondii, de transmissão materno-fetal transplacentária aumentada, com o avançar da gravidez. A gestante susceptível pode contagiar-se havendo maus hábitos higiênicos alimentares, bem como no contato com fezes de gato, manipulação de terra ou fômites contaminados e posterior ingestão do parasita. Em menor proporção, pode haver reativação de infecções prévias ou recontaminação das gestantes. Atualmente, a triagem neonatal biológica (Teste do Pezinho) ampliou para o rastreio da toxoplasmose congênita no Estado da Paraíba. No que diz respeito ao tratamento da toxoplasmose congênita, assinale a opção abaixo que NÃO INDICA necessidade de início imediato das medicações preconizadas:

Alternativas

  1. A) Criança com alteração ocular compatível com toxoplasmose (por exemplo: retinocoroidite).
  2. B) Sorologia para toxoplasmose IgM ou IgA positivas.
  3. C) Sorologia para toxoplasmose IgM negativa e IgG positiva crescente comparada a IgG prévia.
  4. D) Sorologia para toxoplasmose IgM e IgG positiva da mãe e apenas IgG positiva da criança.
  5. E) Criança em investigação para toxoplasmose congênita já com 1 ano de idade e ainda presença de IgG positiva na sorologia para toxoplasmose.

Pérola Clínica

Toxoplasmose congênita: IgG materna e infantil positivas + IgM infantil negativa = infecção materna prévia, não congênita ativa na criança (se IgG infantil decrescente).

Resumo-Chave

A presença de IgG positiva na criança e na mãe, com IgM negativa na criança, indica que a IgG da criança pode ser apenas anticorpos maternos transferidos passivamente. Se a IgG da criança estiver estável ou decrescendo ao longo do tempo, não há evidência de infecção congênita ativa, e o tratamento imediato não é indicado, mas sim o acompanhamento sorológico.

Contexto Educacional

A toxoplasmose congênita é uma infecção grave causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, transmitida da mãe para o feto. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para minimizar as sequelas, que podem incluir retinocoroidite, calcificações cerebrais e hidrocefalia. A triagem neonatal tem um papel importante na identificação de casos, mas a interpretação dos resultados sorológicos é complexa e fundamental para a conduta. A necessidade de início imediato do tratamento é baseada em evidências de infecção ativa no recém-nascido. Isso inclui a presença de alterações clínicas compatíveis (como retinocoroidite), sorologia IgM ou IgA positiva no bebê (pois esses anticorpos não atravessam a placenta), ou um aumento progressivo dos títulos de IgG no bebê, indicando produção própria de anticorpos. A opção "Sorologia para toxoplasmose IgM e IgG positiva da mãe e apenas IgG positiva da criança" não indica necessariamente tratamento imediato. A IgG positiva na criança pode ser apenas anticorpos maternos transferidos passivamente. Nesses casos, é essencial o acompanhamento sorológico para verificar se os títulos de IgG da criança diminuem ao longo do tempo. Se a IgG persistir ou aumentar após 12 meses, ou se houver IgM/IgA positiva, então o tratamento é indicado. A diferenciação entre IgG materna passiva e infecção ativa é um ponto crítico para evitar tratamentos desnecessários.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da toxoplasmose congênita que indicam tratamento imediato?

Sinais clínicos incluem retinocoroidite, calcificações intracranianas, hidrocefalia, microcefalia, convulsões, hepatoesplenomegalia, icterícia e anemia. A presença de qualquer alteração ocular compatível já justifica o início do tratamento.

Por que a sorologia IgM ou IgA positiva na criança é um critério para tratamento imediato da toxoplasmose congênita?

Anticorpos IgM e IgA não atravessam a placenta, portanto, sua presença no sangue do recém-nascido indica que ele produziu esses anticorpos, confirmando uma infecção congênita ativa e a necessidade de tratamento imediato.

Como diferenciar a IgG materna passiva da IgG produzida pelo bebê na toxoplasmose congênita?

A IgG materna passiva tende a diminuir e desaparecer até os 12 meses de idade. Se a IgG da criança persistir positiva após 12 meses ou se houver um aumento progressivo dos títulos de IgG, isso sugere produção própria de anticorpos e, portanto, infecção congênita.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo