HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024
Recém-nascido, sexo masculino, nascido de parto vaginal a termo, apresentou Apgar 7 (1') e 9 (5'), peso de 3.520 g e exame físico normal. Os dados no cartão de pré-natal evidenciam presença de anticorpos IgM e IgG com 80% de avidez contra o T. gondii, realizados na primeira consulta com 7 semanas. Em relação à toxoplasmose, entre as seguintes condutas iniciais, a melhor para este recém-nascido é:
IgM+ IgG alta avidez no 1º trimestre → infecção pré-gestacional, baixo risco de toxoplasmose congênita.
A presença de anticorpos IgM e IgG com alta avidez para Toxoplasma gondii, especialmente quando detectada no início da gestação (primeiro trimestre), indica que a infecção materna é antiga, ou seja, ocorreu antes ou muito no início da gravidez. Nesses casos, o risco de transmissão congênita é mínimo, e não são necessárias maiores investigações no recém-nascido.
A toxoplasmose congênita é uma infecção fetal grave causada pelo parasita Toxoplasma gondii, adquirida por transmissão vertical durante a gestação. O diagnóstico precoce da infecção materna e a correta interpretação da sorologia são cruciais para o manejo adequado e para minimizar os riscos ao feto. A presença de anticorpos IgM e IgG é fundamental para a avaliação. A fisiopatologia da toxoplasmose congênita envolve a passagem do parasita pela placenta, infectando o feto. A interpretação da sorologia materna é complexa: IgM positivo pode indicar infecção recente ou persistência de anticorpos por meses. A avidez de IgG é um marcador essencial para datar a infecção. Alta avidez de IgG no primeiro trimestre praticamente exclui uma infecção aguda recente, indicando que a infecção ocorreu antes ou muito no início da gestação, quando o risco de transmissão é mínimo. No caso descrito, a presença de IgM e IgG com alta avidez em 7 semanas de gestação indica uma infecção materna pré-gestacional. Nesses cenários, o risco de toxoplasmose congênita é desprezível, e não há necessidade de investigação adicional ou tratamento para o recém-nascido. A conduta correta é tranquilizar os pais e não realizar maiores investigações, evitando procedimentos desnecessários e ansiedade.
A avidez de IgG mede a força de ligação dos anticorpos IgG ao antígeno do Toxoplasma. Alta avidez indica uma infecção antiga (geralmente >3-4 meses), enquanto baixa avidez sugere uma infecção recente.
O risco de transmissão vertical é maior quando a infecção materna ocorre no segundo e terceiro trimestres da gestação. No primeiro trimestre, o risco é menor, mas as consequências para o feto são mais graves.
Os exames incluem pesquisa de IgM e IgA específicos no sangue do RN, PCR para Toxoplasma no sangue e líquor, exame de fundo de olho, ultrassonografia transfontanelar e avaliação neurológica e auditiva.
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