SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Um recém-nascido (RN) a termo, de 38 semanas de idade gestacional, nasceu de parto cesáreo eletivo por apresentação pélvica. A mãe é primigesta, de 28 anos de idade, com pré-natal sem intercorrências, exceto por um episódio de infecção urinária no segundo trimestre, que foi devidamente tratada, e sorologia positiva para toxoplasmose IgG e IgM no primeiro trimestre. O RN apresenta Apgar de 8 e 9 no primeiro e quinto minuto, respectivamente. Ao exame físico, observam-se FC = 130 bpm, FR = 40 irpm, SatO2 = 98%, Hepatoesplenomegalia discreta, petéquias esparsas e abaulamento da fontanela. Considerando o caso clínico apresentado, assinale a alternativa correspondente ao exame que não é indicado para a investigação inicial do RN.
Suspeita de Toxoplasmose Congênita → Investigar SNC, olhos, fígado e sangue; Rubéola não é indicada na rotina específica.
A investigação de um RN com suspeita de toxoplasmose congênita deve ser direcionada aos órgãos-alvo do parasita (SNC, olhos, sistema hematológico e hepático). Pesquisar outras infecções (como rubéola) sem indicação clínica é desnecessário.
A toxoplasmose congênita resulta da infecção transplacentária pelo Toxoplasma gondii. O risco de transmissão aumenta ao longo da gestação, mas a gravidade é maior quando a infecção ocorre no primeiro trimestre. A tríade clássica de Sabin (coriorretinite, calcificações intracranianas e hidrocefalia) é o marco da doença grave.\n\nO diagnóstico neonatal baseia-se na persistência de IgG após 12 meses ou na presença de IgM/IgA positivos no RN. O tratamento precoce com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por 12 meses é crucial para reduzir sequelas neurológicas e visuais a longo prazo.
A investigação inclui hemograma (para anemia, plaquetopenia), bilirrubinas e enzimas hepáticas (para hepatite neonatal), fundo de olho (pesquisa de coriorretinite), avaliação do líquor e exames de imagem do SNC (ultrassonografia transfontanelar ou TC para calcificações e hidrocefalia).
O caso apresenta uma forte suspeita epidemiológica (mãe com IgG e IgM positivos para toxoplasmose no 1º trimestre) e clínica (hepatoesplenomegalia, petéquias, abaulamento de fontanela) compatível com toxoplasmose. A rubéola congênita tem um espectro clínico diferente (catarata, cardiopatia, surdez) e não há justificativa para triagem se a causa principal já foi identificada.
O abaulamento de fontanela sugere aumento da pressão intracraniana, que na toxoplasmose congênita pode ser decorrente de hidrocefalia obstrutiva (frequentemente por estenose do aqueduto de Sylvius) ou meningoencefalite ativa.
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