Toxoplasmose Congênita: Diagnóstico e Tratamento Essencial

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2021

Enunciado

Recém-nascido do sexo masculino, 8º dia de vida, nascido de parto vaginal, pré termo de 35 semanas, com peso de nascimento de 1.540 g, pequeno para a idade gestacional simétrico, mantem-se internado para fototerapia devido a icterícia sem incompatibilidade sanguínea materno-fetal. Mãe de 25 anos, primigesta, gravidez não desejada, não realizou pré-natal, hígida, nega etilismo, tabagismo ou uso de drogas na gestação. Ao exame clínico, apresenta icterícia moderada sob fototerapia, sem alterações às propedêuticas cardíaca e pulmonar, abdome com fígado a 4 cm do rebordo costal direito e baço palpável a 5 cm do rebordo costal esquerdo. Optado por ampliar a investigação diagnóstica, colhido hemograma, sem alterações significativas, realizada tomografia de crânio, com aumento de ventrículo e calcificações intracranianas difusas, fundo de olho com coriorretinite e líquor com hiperproteinorraquia, sem outros achados. Falhou bilateralmente na triagem auditiva. Considerando a principal hipótese diagnóstica para o conjunto de achados desta criança, qual é o tratamento indicado?

Alternativas

  1. A) Ganciclovir por 6 semanas.
  2. B) Sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por 1 ano.
  3. C) Penicilina G cristalina por 10 dias.
  4. D) Cefotaxima e Ampicilina por 14 dias.
  5. E) Aciclovir por 21 dias.

Pérola Clínica

RN com icterícia, hepatoesplenomegalia, calcificações intracranianas, coriorretinite e surdez → Toxoplasmose congênita → Sulfadiazina + Pirimetamina + Ácido Folínico por 1 ano.

Resumo-Chave

A combinação de icterícia, hepatoesplenomegalia, calcificações intracranianas difusas, coriorretinite e falha na triagem auditiva (surdez) no recém-nascido é altamente sugestiva da tétrade de Sabin, clássica da toxoplasmose congênita. O tratamento padrão para esta infecção é a combinação de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, geralmente por um ano, para reduzir as sequelas neurológicas e oftalmológicas.

Contexto Educacional

A toxoplasmose congênita é uma infecção parasitária causada pelo *Toxoplasma gondii*, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. É uma das infecções do complexo TORCH e pode causar sequelas graves e permanentes se não diagnosticada e tratada precocemente. O caso clínico apresenta uma constelação de achados altamente sugestiva: icterícia, hepatoesplenomegalia, calcificações intracranianas difusas, aumento de ventrículos (hidrocefalia), coriorretinite e falha na triagem auditiva (surdez neurossensorial). Essa combinação é classicamente conhecida como a tétrade de Sabin, embora nem todos os componentes estejam sempre presentes ou sejam evidentes ao nascimento. O diagnóstico é reforçado pela hiperproteinorraquia no líquor, indicando inflamação do sistema nervoso central. Diante dessa forte suspeita, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível para minimizar as sequelas. O tratamento padrão para a toxoplasmose congênita é a combinação de sulfadiazina e pirimetamina, com adição de ácido folínico para contrabalançar os efeitos mielossupressores da pirimetamina. Este regime é mantido por um período prolongado, geralmente por um ano, e é crucial para melhorar o prognóstico neurológico e oftalmológico da criança. Outras infecções congênitas, como citomegalovírus ou sífilis, podem ter achados semelhantes, mas a combinação específica de calcificações difusas e coriorretinite aponta fortemente para toxoplasmose.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos e de imagem que sugerem toxoplasmose congênita?

A toxoplasmose congênita é classicamente associada à tétrade de Sabin: coriorretinite, calcificações intracranianas (difusas), hidrocefalia (aumento de ventrículos) e convulsões. Outros achados incluem hepatoesplenomegalia, icterícia, anemia e surdez neurossensorial.

Qual é o tratamento de escolha para a toxoplasmose congênita?

O tratamento de escolha para a toxoplasmose congênita é a combinação de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. O ácido folínico é administrado para prevenir a mielossupressão induzida pela pirimetamina.

Por quanto tempo o tratamento da toxoplasmose congênita deve ser mantido?

O tratamento da toxoplasmose congênita é prolongado, geralmente mantido por um ano, para suprimir a replicação parasitária e prevenir ou minimizar o desenvolvimento de sequelas neurológicas e oftalmológicas tardias.

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