UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
O nascimento de um neonato com 39 semanas de idade gestacional transcorreu sem problemas. A mãe recebera espiramicina até a 36a semana em função do diagnóstico de toxoplasmose gestacional. Em seu histórico, constava sorologia IgM reagente, em material coletado na 20a semana, com teste de avidez de IgG de 80% (alta). Pesquisa de DNA por amniocentese não havia sido realizada. Diante desse quadro, qual a conduta mais adequada para o recém-nascido?
Toxoplasmose gestacional com alta avidez IgG na 20a semana → infecção materna prévia ou precoce, baixo risco congênito, mas RN requer investigação inicial.
A alta avidez de IgG na 20ª semana indica que a infecção materna provavelmente ocorreu antes ou no início da gestação, reduzindo o risco de transmissão congênita. Contudo, a espiramicina não garante a ausência de transmissão, e a investigação completa do RN é crucial para descartar a toxoplasmose congênita, mesmo sem tratamento imediato se os exames iniciais forem normais.
A toxoplasmose gestacional é uma infecção causada pelo parasita *Toxoplasma gondii* que pode ser transmitida verticalmente ao feto, resultando em toxoplasmose congênita. A gravidade da infecção fetal varia com a idade gestacional no momento da infecção materna: quanto mais precoce a infecção, menor a taxa de transmissão, mas maior a gravidade das sequelas. A infecção materna é frequentemente assintomática, sendo o diagnóstico sorológico crucial. A avaliação da gestante inclui sorologias IgM e IgG. A presença de IgM reagente e IgG não reagente indica infecção aguda recente. Se ambas forem reagentes, o teste de avidez de IgG é fundamental: alta avidez sugere infecção antiga (mais de 4 meses), enquanto baixa avidez indica infecção recente (menos de 4 meses). A espiramicina é utilizada na gestante para reduzir o risco de transmissão vertical, mas não trata o feto já infectado. A amniocentese para pesquisa de DNA do *Toxoplasma* pode ser realizada para confirmar a infecção fetal. No recém-nascido de mãe com toxoplasmose gestacional, a conduta inicial envolve uma investigação completa, mesmo que a avidez de IgG materna seja alta. Isso inclui sorologias IgM e IgG do RN, fundoscopia para detectar coriorretinite e exames de imagem do SNC (USG transfontanelar ou TC de crânio) para identificar calcificações ou hidrocefalia. Se esses exames forem normais, o tratamento imediato não é iniciado, mas o RN deve ser acompanhado ambulatorialmente com repetição mensal dos títulos de IgG e monitorização clínica, pois a doença pode se manifestar tardiamente. O tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico é reservado para casos confirmados ou com forte suspeita de infecção congênita.
A avidez de IgG ajuda a determinar o tempo da infecção materna. Alta avidez em amostras coletadas até 16 semanas após a soroconversão sugere infecção adquirida há mais de 4 meses, indicando que a infecção provavelmente ocorreu antes ou no início da gestação, com menor risco de transmissão congênita.
A investigação inclui sorologias IgM e IgG específicas para toxoplasmose no sangue do RN, fundoscopia para avaliar coriorretinite, e exames de imagem do sistema nervoso central (ultrassonografia transfontanelar ou tomografia computadorizada) para detectar calcificações ou hidrocefalia.
O tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico é indicado se houver confirmação da infecção congênita ou forte suspeita clínica. Não deve ser iniciado imediatamente se os exames iniciais do RN forem normais e a avidez materna for alta, mas o acompanhamento é mandatório.
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