Toxoplasmose na Gestação: Diagnóstico e Manejo Corretos

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2023

Enunciado

A assistência Pré-Natal é uma oportunidade para a promoção à saúde da mulher e nesse período é possível diagnosticar diversas afecções que podem comprometer a saúde materna e fetal. A Toxoplasmose é uma infecção com grande importância epidemiológica em razão das repercussões fetais durante a primoinfecção na gestação e sobre ela é INCORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) É uma doença infecciosa causada pelo protozoário Toxoplasma gondii e apresenta quadro clínico variado, desde infecção assintomática, autolimitada a manifestações sistêmicas graves.
  2. B) É considerado como caso suspeito quando há detecção de DNA do Toxoplasma gondii em amostra de líquido amniótico, em tecido placentário, fetal ou de órgãos independente do perfil sorológico.
  3. C) Diante de um rastreio positivo, o teste de avidez do IgG deve ser solicitado até 16 semanas de gravidez pois, após esse período, uma alta avidez não descarta a infecção adquirida durante a gestação.
  4. D) Caso o diagnóstico seja feito antes de 16 semanas de gestação, o tratamento deve ser iniciado com Espiramicina 3g/dia e, caso se confirme a infecção fetal, deve-se trocar o esquema por Sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico até o parto.
  5. E) A maioria dos casos de toxoplasmose em gestantes e recém-nascidos (RN) são assintomáticas ou com sintomas inespecíficos.

Pérola Clínica

Detecção de DNA de Toxoplasma gondii em líquido amniótico = confirmação de infecção fetal, não apenas suspeita.

Resumo-Chave

A detecção do DNA do Toxoplasma gondii em amostras fetais ou placentárias por PCR é um método confirmatório de infecção, não apenas um critério para caso suspeito. O caso suspeito geralmente é definido por alterações sorológicas maternas que indicam uma possível primoinfecção.

Contexto Educacional

A toxoplasmose na gestação é uma infecção de grande relevância devido ao risco de transmissão congênita e suas graves repercussões fetais. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais para minimizar os danos. A primoinfecção materna durante a gravidez é o principal fator de risco para a toxoplasmose congênita, com a gravidade das sequelas fetais inversamente proporcional à idade gestacional no momento da infecção materna. O diagnóstico da toxoplasmose na gestação baseia-se principalmente em exames sorológicos (IgM e IgG). Em caso de soroconversão ou IgM positivo com IgG positivo e avidez baixa, a infecção materna recente é provável. A confirmação da infecção fetal é realizada por PCR para Toxoplasma gondii em líquido amniótico, obtido por amniocentese, geralmente após 18 semanas de gestação. A detecção do DNA do parasita em amostras fetais ou placentárias é um achado confirmatório, e não apenas um critério de suspeita. O tratamento da toxoplasmose na gestação varia conforme a confirmação da infecção fetal e a idade gestacional. Em casos de infecção materna sem infecção fetal confirmada, a Espiramicina é utilizada para reduzir a transmissão transplacentária. Se a infecção fetal for confirmada, o esquema com Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico é indicado, visando tratar o feto e prevenir ou reduzir as sequelas da doença congênita. A maioria dos casos de toxoplasmose em gestantes e recém-nascidos são assintomáticos, o que ressalta a importância do rastreamento pré-natal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar um caso suspeito de toxoplasmose na gestação?

Um caso suspeito de toxoplasmose na gestação é geralmente definido por alterações sorológicas maternas, como a soroconversão (IgM negativo para positivo) ou a presença de IgM e IgG positivos com avidez baixa, indicando uma infecção recente.

Qual a importância do teste de avidez de IgG na toxoplasmose gestacional?

O teste de avidez de IgG é crucial para datar a infecção. Uma alta avidez antes das 16 semanas de gestação geralmente indica uma infecção adquirida antes da concepção, enquanto uma baixa avidez sugere uma infecção recente (nos últimos 3-4 meses), com maior risco de transmissão fetal.

Qual a conduta inicial para toxoplasmose diagnosticada antes de 16 semanas de gestação?

Se a toxoplasmose é diagnosticada na gestante antes das 16 semanas, o tratamento inicial é com Espiramicina 3g/dia para reduzir o risco de transmissão placentária. Se a infecção fetal for confirmada (ex: por PCR no líquido amniótico), o esquema deve ser trocado para Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico até o parto.

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