Toxoplasmose Congênita: Diagnóstico e Conduta no RN

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Recém-nascido (RN) termo, com 30 horas de vida, está internado no alojamento conjunto. Filho de mãe com IgC e IgM positivos para toxoplasmose, com teste de avidez baixa no primeiro trimestre da gestação. Na avaliação antropométrica, paciente apresenta perímetro cefálico no percentil 4 para idade, após duas avaliações, com intervalo de 24 horas entre as medidas. Ao exame clínico, paciente sem alterações. Trata-se de filho de mãe com toxoplasmose:

Alternativas

  1. A) Diagnóstico Materno: Provável; Diagnóstico do RN: Microcefalia; Conduta Inicial para o RN: Sorologia para toxoplasmose, exame de fundo de olho e hemograma.
  2. B) Diagnóstico Materno: Confirmada; Diagnóstico do RN: Microcefalia; Conduta Inicial para o RN: Ultrassonografia transfontanela, hemograma, líquor e emissão otoacústica.
  3. C) Diagnóstico Materno: Descartada; Diagnóstico do RN: Perímetro cefálico normal; Conduta Inicial para o RN: Triagem neonatal habitual associada a emissões otoacústicas e reflexo de olho vermelho.
  4. D) Diagnóstico Materno: Confirmada; Diagnóstico do RN: Perímetro cefálico normal; Conduta Inicial para o RN: Tomografia de crânio e avaliação pela infectologia + neuropediatra.

Pérola Clínica

Toxoplasmose materna (IgM+IgG+, avidez baixa 1º tri) → RN com microcefalia: investigar toxoplasmose congênita.

Resumo-Chave

A mãe com IgM e IgG positivos e avidez baixa no primeiro trimestre indica infecção materna provável durante a gestação. O RN com perímetro cefálico no percentil 4 (microcefalia) é um sinal de alerta para toxoplasmose congênita, exigindo investigação completa com sorologia, fundo de olho e hemograma como exames iniciais.

Contexto Educacional

A toxoplasmose congênita é uma infecção parasitária transmitida da mãe para o feto durante a gestação, com potencial para causar sequelas neurológicas e oftalmológicas graves. O diagnóstico materno é complexo e depende da interpretação correta dos exames sorológicos, especialmente o IgM e IgG, e o teste de avidez de IgG, que ajuda a datar a infecção. No caso apresentado, IgM e IgG positivos com avidez baixa no primeiro trimestre indicam uma infecção materna provável durante a gestação, o que aumenta o risco de transmissão fetal. A presença de microcefalia (perímetro cefálico no percentil 4) no recém-nascido é um forte indicativo de infecção congênita, mesmo na ausência de outros sinais clínicos evidentes ao exame físico inicial. A conduta inicial para o RN com suspeita de toxoplasmose congênita envolve uma série de exames para confirmar a infecção e avaliar a extensão do acometimento. Isso inclui sorologia específica para toxoplasmose (IgM e IgG) no sangue do RN, exame de fundo de olho para identificar coriorretinite, hemograma completo e, frequentemente, exames de imagem do sistema nervoso central (como ultrassonografia transfontanela ou tomografia de crânio) e análise do líquor. O tratamento deve ser iniciado precocemente para minimizar as sequelas.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de toxoplasmose em gestantes?

O diagnóstico é feito pela sorologia: IgM e IgG. IgM positivo indica infecção recente. IgG positivo indica exposição prévia. O teste de avidez de IgG é crucial no primeiro trimestre para diferenciar infecção recente de antiga.

Quais são as manifestações clínicas da toxoplasmose congênita no recém-nascido?

As manifestações podem variar de assintomáticas a graves, incluindo coriorretinite, hidrocefalia ou microcefalia, calcificações intracranianas, hepatoesplenomegalia, icterícia e anemia. A tríade clássica é coriorretinite, hidrocefalia e calcificações cerebrais.

Qual o tratamento para toxoplasmose congênita?

O tratamento para toxoplasmose congênita geralmente envolve uma combinação de pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico, administrada por um período prolongado (geralmente 1 ano), para reduzir as sequelas da infecção.

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