HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020
Uma paciente de 21 anos de idade, em acompanhamento pré-natal, apresentou sorologias pareadas para toxoplasmose , evidenciando aumento de cinco vezes no valor dos títulos de IgG em um intervalo de três semanas. Julgue o item a seguir O risco de transmissão de toxoplasmose para o feto reduz com a duração da gravidez, sendo no mínimo no terceiro trimestre.
Toxoplasmose: Risco de transmissão fetal ↑ com IG, mas gravidade ↓ com IG.
Na toxoplasmose gestacional, o risco de transmissão vertical para o feto aumenta progressivamente com a idade gestacional, sendo maior no terceiro trimestre. Contudo, a gravidade das manifestações clínicas no feto é inversamente proporcional à idade gestacional no momento da infecção, sendo mais grave no primeiro trimestre.
A toxoplasmose é uma infecção parasitária causada pelo *Toxoplasma gondii*, e sua aquisição durante a gravidez representa um risco significativo para o feto, podendo levar à toxoplasmose congênita. A prevalência da infecção varia geograficamente, mas é uma preocupação global. A importância clínica reside na capacidade do parasita de atravessar a barreira placentária e causar danos graves ao desenvolvimento fetal, especialmente se a infecção materna ocorrer no início da gestação. O acompanhamento pré-natal com sorologias é crucial para identificar gestantes suscetíveis ou com infecção aguda. O risco de transmissão vertical da toxoplasmose para o feto não é constante ao longo da gravidez. Ele aumenta progressivamente com a idade gestacional, sendo menor no primeiro trimestre (cerca de 10-25%) e maior no terceiro trimestre (até 60-80%). No entanto, a gravidade das manifestações clínicas no feto é inversamente proporcional à idade gestacional no momento da infecção materna. Infecções adquiridas no primeiro trimestre, embora menos prováveis de serem transmitidas, resultam em doença fetal mais grave, com maior risco de sequelas neurológicas e oculares. Já as infecções no terceiro trimestre, embora mais frequentemente transmitidas, tendem a causar doença fetal mais branda ou assintomática ao nascimento, com risco de sequelas tardias. O diagnóstico precoce da infecção materna e fetal é fundamental para o manejo adequado. A soroconversão ou o aumento significativo dos títulos de IgG em amostras pareadas são indicativos de infecção aguda. A amniocentese pode ser realizada para detectar o DNA do parasita no líquido amniótico, confirmando a infecção fetal. O tratamento com espiramicina é iniciado para reduzir a transmissão vertical, e em casos de infecção fetal confirmada, um esquema com pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico é utilizado para tratar o feto. A prevenção, através de medidas higiênicas e alimentares, é a melhor estratégia para evitar a toxoplasmose na gestação.
O diagnóstico de toxoplasmose aguda na gestante é feito pela sorologia, com a detecção de anticorpos IgM e/ou IgA positivos, ou pela soroconversão (aparecimento de IgG em uma gestante previamente negativa) ou aumento significativo (quatro vezes ou mais) dos títulos de IgG em amostras pareadas com intervalo de 2-3 semanas.
As manifestações da toxoplasmose congênita variam de acordo com o trimestre da infecção. Infecções precoces podem levar à tríade clássica de hidrocefalia, calcificações intracranianas e coriorretinite. Outras manifestações incluem microcefalia, convulsões, hepatoesplenomegalia, icterícia e anemia, podendo ser assintomática ao nascimento e desenvolver sequelas tardiamente.
A conduta inicial em caso de toxoplasmose aguda confirmada na gestação é iniciar o tratamento com espiramicina para reduzir o risco de transmissão vertical. Se houver evidência de infecção fetal (por amniocentese ou ultrassom), o tratamento é alterado para pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico.
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