Toxoplasmose e Sífilis na Gestação: Risco Congênito

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020

Enunciado

Duas gestantes assintomáticas em acompanhamento pré- natal fazem exames sorológicos de rotina, cujos resultados estão relatados na tabela a seguir: Considerando que existe a possibilidade de dano fetal pelo Toxoplasma gondii e Treponema pallidum na gestação, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) existe risco de toxoplasmose congênita na gestante A pela reatividade das reações encontradas no primeiro e segundo trimestre;
  2. B) existe risco de sífilis congênita na gestante A pela positividade do teste treponêmico demonstrada;
  3. C) existe risco de toxoplasmose congênita na gestante B pela demonstração da infecção aguda durante a gestação;
  4. D) existe risco de sífilis congênita na gestante B pela positividade do teste não treponêmico demonstrada;
  5. E) não é possível, com os exames disponíveis, avaliar o existe risco de toxoplasmose e sífilis congênitas nas gestantes

Pérola Clínica

Toxoplasmose aguda na gestação (IgM+, IgG- ou soroconversão) → Risco de toxoplasmose congênita.

Resumo-Chave

A infecção aguda por Toxoplasma gondii durante a gestação, especialmente no primeiro e segundo trimestres, representa um risco significativo de transmissão vertical e toxoplasmose congênita. O diagnóstico é feito pela soroconversão de IgG ou pela presença de IgM com IgG negativo ou em ascensão.

Contexto Educacional

O rastreamento de toxoplasmose e sífilis durante o pré-natal é fundamental para prevenir a transmissão vertical e suas graves consequências congênitas. A toxoplasmose congênita pode causar coriorretinite, hidrocefalia e calcificações intracranianas, enquanto a sífilis congênita pode levar a malformações ósseas, hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas e neurológicas. A identificação precoce da infecção materna permite intervenções que podem reduzir o risco ou a gravidade da doença fetal. Para toxoplasmose, a interpretação sorológica envolve IgG e IgM. Um IgG positivo e IgM negativo indica infecção pregressa e imunidade, sem risco para o feto. Um IgM positivo com IgG negativo ou soroconversão (IgG negativo para positivo, ou aumento significativo de títulos de IgG) indica infecção aguda, exigindo tratamento e investigação fetal. A avidez de IgG pode ajudar a datar a infecção. Para sífilis, testes não treponêmicos (VDRL, RPR) e treponêmicos (FTA-Abs, TP-PA) são usados. VDRL reagente deve ser confirmado por teste treponêmico. A infecção aguda por Toxoplasma gondii na gestação, especialmente no primeiro e segundo trimestres, é a que confere maior risco de transmissão vertical. O tratamento materno com espiramicina pode reduzir o risco de transmissão, e se houver evidência de infecção fetal, pirimetamina e sulfadiazina são indicadas. Para sífilis, o tratamento com penicilina é altamente eficaz para a mãe e o feto, sendo crucial iniciar o mais rápido possível para prevenir a sífilis congênita.

Perguntas Frequentes

Como interpretar os resultados sorológicos para toxoplasmose na gestação?

IgG e IgM negativos indicam suscetibilidade. IgG positivo e IgM negativo indicam infecção pregressa e imunidade. IgM positivo com IgG negativo ou soroconversão (IgG negativo para positivo) indica infecção aguda. IgM positivo com IgG positivo requer teste de avidez de IgG para datar a infecção.

Qual a conduta diante de uma gestante com sorologia de toxoplasmose indicativa de infecção aguda?

Deve-se iniciar tratamento com espiramicina para reduzir o risco de transmissão fetal. A investigação da infecção fetal pode ser feita por amniocentese para PCR do Toxoplasma gondii. Se confirmada infecção fetal, o tratamento muda para pirimetamina e sulfadiazina.

Quais são os principais sinais da sífilis congênita no recém-nascido?

Os sinais podem ser precoces (até 2 anos) ou tardios. Incluem hepatoesplenomegalia, icterícia, lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar), osteocondrite, rinite sifilítica, anemia e, tardiamente, dentes de Hutchinson, tíbia em sabre e ceratite intersticial.

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