Toxoplasmose Congênita: Diagnóstico e Conduta no RN

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024

Enunciado

Recém-nascido, 10 dias de vida, mãe primigesta, parto normal a termo, sem intercorrências na gestação ou no parto. Mãe com sorologias para toxoplasmose realizadas no início de cada trimestre gestacional com IgM e IgG não reagentes. Criança apresentou teste do pezinho positivo para toxoplasmose. Como conduzir este caso?

Alternativas

  1. A) Repetir sorologia para toxoplasmose da mãe e do RN; se ambas positivas, tratar o RN com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por 1 ano.
  2. B) Considerar o teste do pezinho falso positivo, pois as sorologias materna durante a gestação foram negativas; não tratar a criança.
  3. C) Tratar o RN com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por 42 dias, sem necessidade de repetir sorologias.
  4. D) Repetir o teste do pezinho e, se positivo para toxoplasmose, tratar o RN com espiramicina por 1 ano.

Pérola Clínica

Teste do pezinho + para toxo com sorologia materna negativa → repetir sorologias mãe/RN para confirmar antes de tratar.

Resumo-Chave

Um teste do pezinho positivo para toxoplasmose em um RN, especialmente com sorologias maternas negativas durante a gestação, exige confirmação com novas sorologias (IgM/IgG) da mãe e do bebê antes de iniciar o tratamento prolongado, devido à possibilidade de falso-positivos ou infecção materna não detectada.

Contexto Educacional

A toxoplasmose congênita é uma infecção parasitária causada pelo *Toxoplasma gondii*, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. Embora as sorologias maternas negativas ao longo da gestação sugiram ausência de infecção, um teste do pezinho positivo para toxoplasmose no recém-nascido (RN) levanta a suspeita e exige investigação aprofundada. A importância clínica reside na prevenção das graves sequelas neurológicas e oculares que podem ocorrer se a infecção não for diagnosticada e tratada precocemente. O teste do pezinho para toxoplasmose detecta anticorpos IgM específicos ou DNA do parasita. Um resultado positivo, especialmente na presença de sorologias maternas negativas, pode indicar um falso-positivo do teste de triagem ou uma infecção materna adquirida tardiamente na gestação, após as últimas sorologias. Nesses casos, a conduta correta é repetir as sorologias (IgM e IgG) tanto da mãe quanto do RN para confirmar a infecção. A presença de IgM no RN ou IgG em títulos crescentes sugere infecção congênita. Se a infecção for confirmada, o tratamento do RN deve ser iniciado imediatamente com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, geralmente por um período de 1 ano. O ácido folínico é essencial para prevenir a mielossupressão causada pela pirimetamina. O tratamento precoce e adequado é fundamental para minimizar o risco de desenvolvimento das sequelas da doença, que podem ser devastadoras para o desenvolvimento da criança.

Perguntas Frequentes

Por que repetir as sorologias da mãe e do RN em caso de teste do pezinho positivo para toxoplasmose?

As sorologias maternas negativas durante a gestação podem ter sido realizadas antes da infecção. Repetir as sorologias da mãe e do RN ajuda a confirmar a infecção ativa e diferenciar de um falso-positivo do teste do pezinho.

Qual o esquema de tratamento para toxoplasmose congênita confirmada?

O tratamento padrão é com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por 1 ano, visando prevenir sequelas neurológicas e oculares.

Quais são as principais sequelas da toxoplasmose congênita não tratada?

As sequelas incluem coriorretinite, hidrocefalia, calcificações intracranianas, convulsões, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e surdez.

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