UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024
Recém-nascido, 10 dias de vida, mãe primigesta, parto normal a termo, sem intercorrências na gestação ou no parto. Mãe com sorologias para toxoplasmose realizadas no início de cada trimestre gestacional com IgM e IgG não reagentes. Criança apresentou teste do pezinho positivo para toxoplasmose. Como conduzir este caso?
Teste do pezinho + para toxo com sorologia materna negativa → repetir sorologias mãe/RN para confirmar antes de tratar.
Um teste do pezinho positivo para toxoplasmose em um RN, especialmente com sorologias maternas negativas durante a gestação, exige confirmação com novas sorologias (IgM/IgG) da mãe e do bebê antes de iniciar o tratamento prolongado, devido à possibilidade de falso-positivos ou infecção materna não detectada.
A toxoplasmose congênita é uma infecção parasitária causada pelo *Toxoplasma gondii*, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. Embora as sorologias maternas negativas ao longo da gestação sugiram ausência de infecção, um teste do pezinho positivo para toxoplasmose no recém-nascido (RN) levanta a suspeita e exige investigação aprofundada. A importância clínica reside na prevenção das graves sequelas neurológicas e oculares que podem ocorrer se a infecção não for diagnosticada e tratada precocemente. O teste do pezinho para toxoplasmose detecta anticorpos IgM específicos ou DNA do parasita. Um resultado positivo, especialmente na presença de sorologias maternas negativas, pode indicar um falso-positivo do teste de triagem ou uma infecção materna adquirida tardiamente na gestação, após as últimas sorologias. Nesses casos, a conduta correta é repetir as sorologias (IgM e IgG) tanto da mãe quanto do RN para confirmar a infecção. A presença de IgM no RN ou IgG em títulos crescentes sugere infecção congênita. Se a infecção for confirmada, o tratamento do RN deve ser iniciado imediatamente com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, geralmente por um período de 1 ano. O ácido folínico é essencial para prevenir a mielossupressão causada pela pirimetamina. O tratamento precoce e adequado é fundamental para minimizar o risco de desenvolvimento das sequelas da doença, que podem ser devastadoras para o desenvolvimento da criança.
As sorologias maternas negativas durante a gestação podem ter sido realizadas antes da infecção. Repetir as sorologias da mãe e do RN ajuda a confirmar a infecção ativa e diferenciar de um falso-positivo do teste do pezinho.
O tratamento padrão é com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por 1 ano, visando prevenir sequelas neurológicas e oculares.
As sequelas incluem coriorretinite, hidrocefalia, calcificações intracranianas, convulsões, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e surdez.
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