Toxoplasmose Congênita: Manejo e Tratamento Essencial

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Recém-nascida (RN) de 7 dias de vida, é levada à UBS para a primeira consulta pediátrica. Sua mãe foi diagnosticada com toxoplasmose aguda no terceiro trimestre da gestação e iniciou tratamento com espiramicina. O USG fetal identificou calcificações intracranianas. O exame físico da RN é normal, o USG transfontanelar não revelou novas lesões além das já detectadas e sua sorologia é IgG positivo e IgM negativo para toxoplasmose. Com base no protocolo de manejo de toxoplasmose congênita, qual é a conduta mais apropriada?

Alternativas

  1. A) Iniciar o tratamento com espiramicina e realizar exames mensais de acompanhamento até que a IgM se torne positiva.
  2. B) Não iniciar o tratamento neste momento, mas realizar acompanhamento mensal com exames físico, neurológico, sorologia e avaliação oftalmológica.
  3. C) Iniciar o tratamento tríplice com pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico por 12 meses, independentemente de novos achados clínicos.
  4. D) Repetir a sorologia e ultrassonografia transfontanelar em 15 dias antes de tomar qualquer decisão sobre o início do tratamento.

Pérola Clínica

RN com mãe toxoplasmose aguda e calcificações intracranianas → iniciar tratamento tríplice (pirimetamina, sulfadiazina, ácido folínico) por 12 meses.

Resumo-Chave

A presença de calcificações intracranianas em um recém-nascido, mesmo com exame físico normal e IgM negativa, é um forte indicativo de toxoplasmose congênita. Nesses casos, o tratamento tríplice com pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico por 12 meses é mandatório para prevenir sequelas neurológicas e oftalmológicas graves.

Contexto Educacional

A toxoplasmose congênita é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. A gravidade e as manifestações clínicas dependem do trimestre em que ocorre a infecção materna, sendo mais grave no primeiro trimestre, mas com maior risco de transmissão no terceiro. As calcificações intracranianas são um achado clássico e patognomônico de infecção congênita, mesmo na ausência de outros sintomas ao nascimento ou com IgM negativa no RN (que pode ser falso-negativa ou ter desaparecido). O diagnóstico de toxoplasmose congênita é estabelecido pela sorologia materna (IgG e IgM), sorologia do RN (IgG persistente após 12 meses, IgM ou IgA positivas), PCR em líquidos corporais (líquor, líquido amniótico) e achados de imagem, como as calcificações intracranianas. A presença de calcificações fetais ou neonatais, associada à infecção materna, confirma o diagnóstico e a necessidade de tratamento. O protocolo de tratamento para recém-nascidos com toxoplasmose congênita confirmada, mesmo que assintomáticos ou com sorologia IgM negativa, é o esquema tríplice: pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico, administrado por 12 meses. O ácido folínico é essencial para mitigar a mielossupressão causada pela pirimetamina. Este tratamento visa prevenir ou minimizar as sequelas tardias, como coriorretinite, deficiência auditiva, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e convulsões, que podem se manifestar anos após o nascimento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de toxoplasmose congênita em recém-nascidos?

Os sinais podem variar, mas incluem calcificações intracranianas, hidrocefalia, coriorretinite, hepatoesplenomegalia, icterícia e anemia. Muitos RNs podem ser assintomáticos ao nascimento, mas desenvolver sequelas tardiamente.

Por que o tratamento tríplice é indicado na toxoplasmose congênita?

O tratamento tríplice com pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico é indicado para combater o parasita em diferentes fases e locais, prevenindo ou minimizando as sequelas neurológicas e oftalmológicas da doença, que podem se manifestar tardiamente.

Qual o papel da espiramicina no manejo da toxoplasmose?

A espiramicina é utilizada no tratamento da gestante com toxoplasmose aguda para reduzir o risco de transmissão vertical ao feto. No entanto, uma vez confirmada a infecção fetal ou neonatal, a espiramicina não é o tratamento de escolha para o recém-nascido.

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