CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Dos testes imunológicos descritos abaixo, o melhor para o diagnóstico laboratorial da toxoplasmose congênita no recém-nascido é:
Diagnóstico de Toxoplasmose Congênita no RN → IgM (não cruza a placenta, indica infecção fetal).
A detecção de anticorpos IgM no recém-nascido é o marcador mais confiável de infecção congênita, pois essas moléculas não atravessam a barreira placentária.
A toxoplasmose congênita resulta da infecção primária da gestante pelo Toxoplasma gondii, com subsequente transmissão transplacentária. O diagnóstico laboratorial no período neonatal é crítico, pois a maioria dos infectados é assintomática ao nascimento, mas pode desenvolver sequelas graves como coriorretinite, hidrocefalia e calcificações cerebrais (Tríade de Sabin). O padrão-ouro laboratorial baseia-se na detecção de IgM ou IgA no soro do recém-nascido. O teste ISAGA (immunosorbent agglutination assay) é frequentemente utilizado por sua alta sensibilidade. Além da sorologia, a avaliação do RN deve incluir exame de fundo de olho, ultrassonografia transfontanela ou tomografia de crânio e análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). O tratamento precoce com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por 12 meses é essencial para reduzir os danos a longo prazo.
A IgG materna atravessa livremente a placenta a partir do segundo trimestre, conferindo imunidade passiva ao feto. Portanto, um teste de IgG positivo no recém-nascido pode refletir apenas anticorpos maternos. Já a IgM é uma molécula grande que não cruza a placenta. Se detectada no sangue do recém-nascido, indica que o próprio sistema imunológico do feto/RN produziu esses anticorpos em resposta à invasão pelo Toxoplasma gondii, confirmando a infecção congênita.
A dosagem de IgA específica é um teste complementar valioso. Assim como a IgM, a IgA não atravessa a placenta. Em alguns casos de toxoplasmose congênita, a IgM pode ser negativa ou desaparecer precocemente, enquanto a IgA permanece positiva por mais tempo ou aparece de forma isolada. A combinação de IgM e IgA aumenta a sensibilidade diagnóstica para cerca de 90% ou mais nos primeiros meses de vida.
Nesse cenário, o recém-nascido deve ser acompanhado sorologicamente. Se for apenas transferência passiva de anticorpos maternos, os títulos de IgG cairão progressivamente, tornando-se negativos geralmente até o primeiro ano de vida. Se os títulos de IgG se mantiverem estáveis ou subirem, a infecção congênita deve ser reconsiderada, mesmo com IgM inicial negativo, pois alguns RNs infectados demoram a soroconverter ou têm produção de anticorpos embotada pelo tratamento materno durante a gestação.
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