Toxoplasmose Gestacional: Interpretação e Conduta

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2022

Enunciado

Leia o caso clínico a seguir.Uma gestante apresentou no teste da mamãe, realizado com dez semanas de gestação, IgM e IgG para toxoplasmose positivos. Após este resultado, ainda com doze semanas de gestação, foi realizada a avidez para IgG que resultou em 80%. No segundo trimestre de gestação, a gestante realizou a amniocentese para a realização de reação de cadeia de polimerase (PCR) para detecção doToxoplasma gondii, que resultou negativo. Ao nascimento, com 38 semanas de idade gestacional, o recém-nascido apresentava IgM negativo, IgG em níveis semelhantes ao materno e a mãe apresentava, nesta ocasião, IgM e IgG positivos.Nesse caso, a melhor conduta é:

Alternativas

  1. A) tratar o recém-nascido porque a gestante teve toxoplasmose comprovada durante gestação.
  2. B) tratar o recém-nascido porque a gestante teve toxoplasmose provável durante gestação.
  3. C) não tratar o recém-nascido porque é improvável que a gestante tenha tido toxoplasmose durante gestação.
  4. D) não tratar o recém-nascido porque a gestante não teve toxoplasmose durante gestação.

Pérola Clínica

Toxoplasmose gestacional: IgG avidez alta + PCR LA negativo + RN IgM negativo = Infecção materna pré-gestacional, não tratar RN.

Resumo-Chave

A alta avidez de IgG (>60-80%) em gestantes com IgM e IgG positivos indica infecção adquirida há mais de 12-16 semanas, ou seja, antes da gestação ou no início. Com PCR de líquido amniótico negativo e IgM do RN negativo, a infecção congênita é improvável, dispensando tratamento do recém-nascido.

Contexto Educacional

A toxoplasmose na gestação é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão congênita e suas potenciais sequelas graves para o feto. O diagnóstico preciso do momento da infecção materna é crucial para a tomada de decisão terapêutica. A combinação de sorologia (IgM e IgG) com o teste de avidez de IgG é a base para essa avaliação. Uma avidez de IgG alta (geralmente >60-80%) em gestantes com IgM e IgG positivos indica que a infecção ocorreu há mais de 12-16 semanas, sugerindo que a infecção é pré-gestacional ou muito precoce, com baixo risco de transmissão fetal. Em contraste, uma avidez baixa sugere infecção recente. Complementarmente, o PCR do líquido amniótico é um exame invasivo que pode detectar a presença do parasita no feto, sendo um indicador direto de infecção fetal. No caso clínico apresentado, a alta avidez de IgG (80%) e o PCR do líquido amniótico negativo, juntamente com a sorologia do recém-nascido (IgM negativo e IgG semelhante ao materno), indicam que a infecção materna provavelmente ocorreu antes da gestação ou muito no início, sem transmissão para o feto. Portanto, a conduta mais adequada é não tratar o recém-nascido, evitando exposições desnecessárias a medicamentos.

Perguntas Frequentes

Como a avidez de IgG ajuda no diagnóstico da toxoplasmose gestacional?

A avidez de IgG é um marcador importante para determinar o tempo da infecção. Uma avidez alta (>60-80%) geralmente indica que a infecção ocorreu há mais de 12-16 semanas, ou seja, antes ou no início da gestação, reduzindo o risco de transmissão congênita.

Quando o PCR do líquido amniótico é indicado para toxoplasmose?

O PCR do líquido amniótico é indicado quando há suspeita de infecção materna recente (IgM positivo e IgG de baixa avidez) para confirmar a transmissão fetal. Um resultado negativo sugere que o feto não foi infectado.

Qual a conduta se a gestante tem IgM e IgG positivos, mas a infecção é antiga?

Se a avidez de IgG é alta e o PCR do líquido amniótico é negativo, a infecção materna é considerada antiga (pré-gestacional ou muito precoce), e o risco de toxoplasmose congênita é baixo. Nesses casos, o tratamento do recém-nascido geralmente não é indicado.

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