Toxoplasmose Congênita: Conduta na Coriorretinite

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Menina, 2 meses de idade, apresenta icterícia persistente e hepatoesplenomegalia, em investigação de infecção congênita. A mãe relata que não realizou todos os exames do pré-natal, mas atualmente mãe e criança apresentam IgG positiva e IgM negativa para toxoplasmose. O exame de fundo de olho da criança revelou coriorretinite. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Realizar exames sorológicos trimestralmente, além de ultrassonografia cerebral e encaminhamento ao oftalmologista para monitoramento da coriorretinite.
  2. B) Solicitar exames sorológicos anuais, sem necessidade de acompanhamento oftalmológico, considerando a ausência de sintomas oculares graves.
  3. C) Prescrever profilaxia antibiótica para toxoplasmose por seis meses, acompanhamento oftalmológico anual e exames sorológicos semestrais.
  4. D) Iniciar tratamento para toxoplasmose e acompanhamento sorológico mensal, além de exames oftalmológico e neurológico periódicos.

Pérola Clínica

Coriorretinite + suspeita de toxo congênita → Iniciar tratamento (Sulfadiazina + Pirimetamina + Ácido Folínico).

Resumo-Chave

A presença de coriorretinite em lactente com sorologia materna/infantil suspeita exige tratamento imediato para evitar progressão de sequelas neurológicas e visuais.

Contexto Educacional

A toxoplasmose congênita resulta da transmissão transplacentária do Toxoplasma gondii durante uma infecção primária materna. A gravidade no feto é inversamente proporcional à idade gestacional da infecção, mas o risco de transmissão aumenta ao longo da gravidez. A tríade clássica de Sabin (coriorretinite, calcificações intracranianas e hidrocefalia) é o marco da doença grave. Mesmo crianças assintomáticas ao nascimento podem desenvolver sequelas tardias, principalmente oculares, se não tratadas. O diagnóstico laboratorial no RN pode ser desafiador, pois o IgG pode ser materno (transmissão passiva) e o IgM/IgA podem estar ausentes. Portanto, achados clínicos como a coriorretinite são soberanos para o início da terapia.

Perguntas Frequentes

Qual o esquema terapêutico padrão para toxoplasmose congênita?

O tratamento de escolha envolve a tríade: Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico. A duração padrão é de 12 meses, visando reduzir a carga parasitária e prevenir novas lesões oculares ou progressão de danos no sistema nervoso central. O tratamento precoce é fundamental para melhorar o prognóstico visual e neuropsicomotor da criança.

Por que usar ácido folínico no tratamento?

A pirimetamina é um antagonista do ácido fólico que inibe a diidrofolato redutase do parasita, mas também pode causar depressão medular no hospedeiro humano. O ácido folínico (leucovorin) é administrado para prevenir a toxicidade hematológica (anemia, leucopenia, trombocitopenia) sem interferir na eficácia da droga contra o Toxoplasma gondii.

Como deve ser o seguimento da criança tratada?

O acompanhamento deve ser multidisciplinar, incluindo avaliações oftalmológicas frequentes (para monitorar cicatrizes e novas lesões), exames neurológicos, triagem auditiva e monitorização laboratorial rigorosa (hemograma semanal ou quinzenal inicialmente) para detectar efeitos colaterais das medicações, além de exames de imagem cerebral.

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