Toxoplasmose Congênita: Manejo em Recém-Nascidos Assintomáticos

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023

Enunciado

Recém-nascido do sexo masculino de 10 dias de vida, filho de mãe com pré-natal inadequado, que apresentava sorologias somente do último trimestre com toxoplasmose IgM e IgG positivos. Nasceu de parto vaginal, a termo, adequado para a idade gestacional. A ultrassonografia transfontanela e o exame de fundo de olho foram normais. Os exames laboratoriais do paciente evidenciaram hemoglobina de 15,2g/dL e leucócitos de 13.400/mm³ (linfócitos 8.844/mm³ ; neutrófilos 5.092/mm³ ; basófilos 134/mm³ ; eosinófilos 134/mm³ ; monócitos 536/mm³). A sorologia para toxoplasmose do neonato foi realizada com 5 e 10 dias de vida, sendo positiva para IgM e IgG nas duas oportunidades, mas a pesquisa de toxoplasma por técnica de Polymerase Chain Reaction (PCR) no sangue foi negativa.Qual é a conduta que deve ser adotada neste momento?

Alternativas

  1. A) Solicitar tomografia de crânio e, se alterada, indicar o tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico.
  2. B) Como a PCR para toxoplasma é negativa e o paciente está assintomático, não há indicação de tratamento.
  3. C) Iniciar tratamento com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, mesmo com o paciente assintomático.
  4. D) Iniciar tratamento com sulfametoxazol-trimetoprima e ácido folínico, mesmo com o paciente assintomático.
  5. E) Solicitar tomografia de crânio e, se alterada, indicar o tratamento com sulfametoxazol-trimetoprima e ácido folínico.

Pérola Clínica

RN com sorologia IgM/IgG positiva para toxoplasmose, mesmo assintomático e PCR negativa → iniciar tratamento completo.

Resumo-Chave

Em recém-nascidos com suspeita de toxoplasmose congênita (mãe com sorologia positiva e RN com IgM e IgG positivos), o tratamento empírico deve ser iniciado prontamente, mesmo na ausência de sintomas ou com PCR negativa. A PCR no sangue pode ter baixa sensibilidade e a ausência de sintomas não exclui a infecção, que pode ter sequelas tardias.

Contexto Educacional

A toxoplasmose congênita é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. É uma condição grave que pode levar a sequelas neurológicas, oculares e auditivas significativas, mesmo em casos inicialmente assintomáticos. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para minimizar essas complicações. A suspeita deve ser alta em recém-nascidos de mães com sorologia positiva durante a gravidez. O diagnóstico no recém-nascido baseia-se principalmente na sorologia. A presença de IgM e/ou IgG persistente após os 10 dias de vida (ou IgM positivo em qualquer momento) no RN, na ausência de IgG materna transferida passivamente, é altamente indicativa de infecção. Exames complementares como ultrassonografia transfontanela e fundo de olho são importantes para avaliar o acometimento de órgãos, mas a ausência de alterações não exclui a infecção. A PCR para toxoplasma, embora útil, pode ter sensibilidade variável e um resultado negativo não deve atrasar o tratamento se a sorologia for sugestiva. O tratamento da toxoplasmose congênita, mesmo em recém-nascidos assintomáticos, é mandatório e consiste na combinação de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. Esta terapia visa erradicar o parasita e prevenir o desenvolvimento ou a progressão das sequelas. A duração do tratamento é prolongada, geralmente por um ano, e deve ser acompanhada de perto para monitorar efeitos adversos e a resposta clínica. A não instituição do tratamento pode resultar em manifestações tardias graves, como coriorretinite, hidrocefalia e calcificações cerebrais.

Perguntas Frequentes

Quando suspeitar de toxoplasmose congênita em um recém-nascido?

A suspeita surge quando a mãe teve infecção por toxoplasmose durante a gestação. No RN, a presença de IgM e IgG positivos (após os 10 dias de vida para IgG, para excluir transferência passiva materna) é altamente sugestiva, mesmo na ausência de sintomas.

Qual o tratamento padrão para toxoplasmose congênita?

O tratamento padrão consiste na combinação de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico. O ácido folínico é essencial para prevenir a mielossupressão causada pela pirimetamina.

A PCR negativa para toxoplasma no sangue exclui a infecção congênita?

Não necessariamente. A PCR no sangue pode ter sensibilidade limitada, especialmente se a carga parasitária for baixa. A sorologia do RN (IgM e IgG) é crucial para o diagnóstico, e o tratamento deve ser iniciado com base nela, mesmo com PCR negativa, devido ao risco de sequelas.

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